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Editorial

Pedágio fluvial

30/06/2016 às 21:17
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O Amazonas é o Estado brasileiro com a maior malha aquaviária do País, quiça do mundo, mas pouca ou quase nenhuma força política dispõe para enfrentar os desafios que é gerir e melhorar esse patrimônico.

Tudo começa pela administração dos nosso Porto e áreas afins, que está sob o controle - vejam bem todos! - da Companhia Docas do Maranhão (Codomar). O que uma empresa com sede no Estado nordestino tem de especial para administrar um porto em Manaus? Não existe explicação para isso e também para as ações que disso decorrem.

Uma das novidades decorrentes dessa engrenagem estranha vem a lume hoje nas páginas de A CRÍTICA por indicação do deputado estadual Dermilson Chagas, que participou de uma consulta pública obscura e que poucos tem informação sobre. A tal reunião discutiria “Uma nova poligonal (área de abrangência) para o porto de Manaus  proposta pela Secretaria de Portos (SEP), órgão ligado ao Ministério dos Transportes, com o objetivo de estabelecer a cobrança de taxas a embarcações”.

Isso mesmo, diversas autoridades, representantes de órgãos públicos, talvez alguns empresários em que todos, longe dos holofotes, discutem um assunto estranho, de nome estranho - poligonal -, mas que ao final e ao cabo, se aprovado em instâncias burocráticas em Brasília, vai onerar desde o abastecimento de alimentos no Estado até os insumos usados na Zona Franca de Manaus.

Ou seja, tem alguém querendo faturar em cima dos proprietários de barcos que fazem transporte de pessoas e cargas e precisam entrar nas águas do rio Negro na bela capital amazonense. Parece esperteza e é esperteza, facilitada pelo fato de nossos interesses estarem administrados pela Codomar, a excelente Companhia Docas do Maranhão.

A ideia da ampliação da tal  poligonal (área de abrangência) para o porto de Manaus é que permitirá que todos os barcos e navios, de todos os tamanhos e calados, paguem uma espécie de pedágio maior e com lucros revertidos para a Secrtaria Especial dos Portos, via Codomar.

Ou seja, para engordar os cofres a SEP decidiu entrar no bolso dos armadores e estes, logicamente, não vão ficar sozinhos nessa empreitada financeira e vão repassar esse novo custo para os preços praticados em Manaus ou por produtos feitos em Manaus.