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Editorial

Pedido de ajuda nas escolas

15/03/2019 às 07:56
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O fato  de adolescentes em várias partes do Brasil, e também em Manaus, fazerem apologia ao massacre na escola Raul Brasil, em Suzano (SP), é um sério alerta a pais, professores e a toda a sociedade. Um dia após o assassinato de oito pessoas por dois ex-alunos da escola, foram registrados no País diversos casos de jovens se envolvendo em tumultos em instituições de ensino. Em Manaus, houve situações envolvendo ameaças em redes sociais e elogios explícitos à atitude dos assassinos.  

Para especialistas, cada caso precisa ser acompanhado com critérios adequados, sem pré-julgamentos. Não se pode, de antemão, classificar todas as ocorrências como molecagem pura e simples, algo que se resolva com algumas bordoadas. Em várias casos, a atitude inadequada de alguns adolescentes pode ser interpretada como pedidos de ajuda. 

Assim como o alarde em torno de suicídios - que acaba encorajando pessoas emocionalmente fragilizadas a cometer o ato - casos como o de Suzano podem levar jovens com problemas emocionais e psicológicos a manifestar sua condição. Um alerta que não pode ser ignorado.  São sinais inequívocos de que algo não vai bem com o estudante. Esses jovens precisam ser ouvidos. Eles não podem ser isolados ou deixados de lado. Essa é uma fase decisiva da vida, onde se define o sucesso ou fracasso de cada um enquanto pessoa.  

E, claro, existe também a molecagem, a falta de tino característica dos primeiros anos da adolescência. Mas até isso merece atenção e cuidado. O jovem com caráter em formação precisa perceber quando sua atitude é inoportuna, reprovável e ter a exata noção do ridículo a que se expõe.  

Por outro lado, a escola deve ter condições materiais e humanas para identificar jovens com problemas e dar a eles e aos pais a orientação necessária. Mais que isso, é preciso dotar as instituições de ensino das condições para promover o acompanhamento individual dos estudantes. Um jovem não pode abandonar a escola de uma hora para outra sem que se procure saber o que aconteceu. Esse acompanhamento é um desafio gigantesco. Professores diligentes acabam entrando em contato com todo tipo de drama nas salas de aula e se veem sem condições de dar o apoio que gostariam, pois seria uma atuação isolada. O poder público precisa participar desse esforço.