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Editorial

Pelo bom aproveitamento das ideias

10/11/2016 às 20:49
Show ciencia0333

Os vários eventos ora realizados em Manaus apresentam no conjunto uma plataforma positiva de interação e de constituição de possibilidades na produção da ciência na Amazônia e na Panamazônia. São acontecimentos que discutem a reelaboração de diálogos institucionais e das instituições com organizações do movimento popular com intensa atuação nessa região continental.

É uma oportunidade que há muito não se percebia na cidade. O II Seminário Internacional Sociedade e Cultura na Panamazônia (PPGSCA-Ufam), o IV Encontro Brasileiro de Pesquisadores da Cultura (EBPC) e o VIII Pré-Fórum Social Panamazônico são alguns dos encontros que têm a Amazônia internacional com pauta vasta. A capacidade de mobilizar diferentes públicos interessados nessa proposta cria um circuito que, se bem aproveitado pelos setores da educação, da cultura, da ciência e da tecnologia tanto em nível estadual quanto no municipal poderá gerar bons resultados.

Esses encontros incrementam a economia e impactam positivamente a área de serviços. Mas há outro resultado que não é medido pela movimentação do dinheiro. Trata-se da constituição de espaços de diálogo, de troca de experiências, de fomento à inúmeras parcerias e de intercâmbio notadamente entre jovens universitários e também de integrantes de  movimentos sociais que  estão em Manaus em preparação para o VIII Fórum Social Panamazônico que ocorrerá no Peru, em abril do próximo ano.

São rodas de conversas sobre os múltiplos aspectos da Amazônia e da Panamazônica. Por meio delas, estudantes têm a chance de avançar em conhecimento para além da sala de aula e nos espaços abertos.

Para a Ufam é um passo acertado no esforço de ampliar a abrangência dos seus encontros aproximando-se numa feição mais concreta das outras comunidades, dos que estão fora dos campi. E são milhares. Em um momento em que condutas de retrocesso e violência de gênero se multiplicam no ambiente universitário da Amazônia Ocidental  ganham importância ampliar a interlocução da comunidade universitária com outros setores, criar canais para que professores e estudantes vivam com respeito outras experiências de convivência com os que são diferentes deles. Esse é um braço valioso nos esforços para fazer prevalecer o debate das ideias, o avanço na produção do conhecimento e dos saberes amazônicos e que esses sejam de fato colocados a serviço dos interesses dos povos da região.