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Editorial

Pequenas ações, grandes resultados

25/10/2016 às 22:20
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Os administradores públicos brasileiros, seja  da União ou do menor dos municípios da Federação, costumam ter planos grandiloquentes, só pensam em programas e projetos de grande envergadura, os que geralmente custam mais caros e cujos resultados demoram mais tempo para dar resultados. Nessa megalomania de gestão costumam esquecer que é nas pequenas coisas do dia a dia que as ações deles poderiam fazer a diferença na vida das pessoas cujas vidas se desenrolam nas  esferas de responsabilidade deles.

Tomemos o exemplo das administração que optam por construir viadutos em vez de melhorar a pontualidade do sistema de transporte. Quem constrói um viaduto - ainda como exemplo vamos pegar a cidade de Manaus - precisa de dinheiro de extra de  empréstimos feitos nem sempre em condições camaradas, pois não há caixa suficiente para bancar uma obra cara como essa só com recursos do erário municipal. Ressalte-se que uma administração municipal de Manaus constrói, no máximo, um viaduto em quatro anos, resolvendo assim um problema pontual de fluxo de veículos. Agora vejamos uma pequena obra que mudaria a vida de muita gente: tampar bueiros. Só neste ano mudaria a vida de duas crianças de sete anos, mortas ao cairem nessas estruturas cuja construção e manutenção são responsabilidades da Prefeitura de Manaus.

O problema é de tamanha monta que o Ministério Público do Estado (MPE/AM) abriu um inquérito específico  para aferir o tamanho dele e apontar as responsabilidades pelo não cumprimento de uma missão precípua que é garantir a vida dos cidadãos e seus familiares. Titular da peça, o promotor Paulo Stélio Sabá apresentará hoje em que pé está o trabalho no órgão ministerial.

Enquanto isso, nas ruas, vielas e igarapés do bairro Monte das Oliveiras, bombeiros, familiares e amigos do menino Gustavo vão seguir as buscas por ele, que caiu num bueiro sem tampa no domingo e até hoje a família vive o desespero do caso, que poderia ser resolvido com uma simplicidade muito grande, duas barras de ferro, algumas pás de areia e outras tantas de cimento. Neste ano duas crianças morreram em condições semelhantes as do desaparecido Gustavo, mas ainda impressiona como seria barato para os cofres públicos salvar-lhes a vida.