Quarta-feira, 14 de Abril de 2021
Editorial

Pequenos gestos diante da grande ameaça


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08/04/2021 às 08:25

A adoção de providências para uma possível terceira onda da Covid-19 é, em alguma medida, um sinal de que pelo menos parte dos apelos e alertas feitos por parcela de infectologistas e de outros profissionais da saúde alcançou instâncias governamentais. Tais advertências chegaram a ser ignoradas na maior fatia do território brasileiro enquanto as aglomerações e flexibilizações amplas aconteciam na tentativa de salvar a economia.

O resultado está custando caro para a sociedade que, embora permaneça apostando nas aberturas, burlando medidas referentes ao distanciamento social, aos horários de funcionamento dos estabelecimentos, também é vítima do vírus e aparece pedindo socorro para conseguir atenção médica, leito e os procedimentos adequados a pacientes a fim de assegurar a vida.

É nesse cenário de sanfona que o Brasil alcançará nos próximos dias 400 mil mortes motivadas pela Covid-19 e o Amazonas 13 mil. Uma terceira onda, indicam pesquisadores, deverá resultar em mais de 500 mil mortes e longo período de agonia tanto das pessoas doentes quanto daquelas que com elas convivem diante do colapso da rede hospitalar e dos recursos humanos mobilizados para atender em alta demanda ou até mesmo fora do controle.

No Amazonas, a disposição de reunir representantes e preparar protocolos para lidar com esse outro momento de explosão de pacientes contaminados pelo novo vírus, é um dado positivo em meio a tantos problemas ocorridos nessa área. O governador do Estado já fez alertas sobre a ameaça de uma terceira onda. E afirma que o Amazonas está preparado para enfrentá-la. Infelizmente, ainda é baixo o porcentual da população imunizada e a capacidade de mutação do vírus segue desconhecida. Nesse caso, vacina em prazo mais curto e para todos e os procedimentos de proteção – máscara, limpeza das mãos, distanciamento social – são, de acordo com os profissionais da saúde, o outro remédio, infelizmente, ignorado por milhares.

Apostar em aberturas para, em seguida, ser obrigado a adotar medidas mais duras tem sido a tônica das gestões. Dessa forma, o Brasil se arrasta com a pandemia e estica a distância para a retomada mais segura dos serviços e da atividade econômica. Uma conduta que pode até satisfazer uns poucos, mas é profundamente negativa e lesiva ao conjunto da sociedade.

 

Foto: Junio Matos
 


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