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Editorial

Perdas e ganhos

13/02/2019 às 07:17
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O pacote de obras que será lançado hoje no Oeste do Pará, elegendo a rodovia BR-163 - que liga Santarém (PA) a Cuiabá (MT) - como principal via de interligação da Amazônia com o restante do País é um balde de água fria para quem ainda espera pela recuperação da BR-319. Apesar das promessas do governo federal de que vai asfaltar a estrada que liga Manaus a Porto Velho, a prioridade que se dá à rodovia que nasce no município paraense deixa claro que aquele será o canal mais rapidamente disponível para escoamento dos produtos da Zona Franca de Manaus.

É uma questão de prioridade mesmo. É muito clara a intenção de privilegiar o agronegócio - que poderá contar com uma ótima opção para escoamento dos grãos produzidos no Centro-Oeste por meio do porto de Santarém - em detrimento da indústria da Zona Franca. Aliás, esta já é a função do porto paraense, operado pela Cargill, gigante norteamericana do agronegócio. 

Além de poder seguir para o Atlântico pelos portos da Amazônia, o governo também quer facilitar a exportação para a América do Norte. Por isso está nos planos a continuação da BR-163 até o Suriname, de onde o acesso ao Canal do Panamá será mais fácil. 

De qualquer forma, o Amazonas  não deixa de ganhar. É claro que seria mais fácil e barato  asfaltar o trecho problemático da BR-319 e garantir logo uma saída para a combalida Zona Franca, mas a possibilidade de utilizar a BR-163 também é boa. Há poucos anos, inclusive, o Amazonas tentou instalar um entreposto da Zona Franca em Santarém, a exemplo dos que já operam em Rezende (RJ) e Uberlândia (MG). O projeto não foi viabilizado pela falta de uma estrada plenamente trafegável. Com o pacote de obras no Oeste do Pará, esse projeto poderá ser retomado. Além disso, o governo também oferece alguns “prêmios de consolação” ao Amazonas, como a construção da hidrelétrica no rio Trombetas, projeto de longo prazo que vai ampliar consideravelmente a segurança energética do Estado. Se ainda existir Zona Franca quando o complexo ficar pronto, será um fator a mais na atração de investimentos. Enquanto isso, lideranças políticas e empresariais não podem desistir da BR-319, que continua sendo uma alternativa mais interessante por dispensar o transporte multimodal, e abrir a possibilidade de uma futura ligação com o Pacífico.