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Editorial

Pescadores e doentes 'assaltados'

08/02/2018 às 23:52
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A política amazonense, assim como ocorre em nível nacional, ainda é muito marcada pala atuação dos “caciques”, lideranças que se destacam de acordo com o tamanho do “feudo” eleitoral que manipulam. No caso dos pescadores, o principal destaque político é o ex-deputado federal Walzenir Falcão, que mesmo sem mandato parlamentar, continua exercendo seu poder político sobre uma das classes de trabalhadores mais humildes do Estado, a dos pescadores artesanais.

Não bastasse ter desviado recursos que deveriam ter sido aplicados na qualificação profissional dos pescadores, há fortes suspeitas de que recursos da saúde também tenham sido canalizados pelo esquema criminoso comandado - segundo a denúncia do Ministério Público - por Walzenir Falcão entre 2012 e 2014. Essas suspeitas recaem sobre o fato - ainda não explicado - de que a conta bancária da Secretaria de Saúde (Susam) foi usada para pagar convênios firmados entre a Setrab e a Fepesca.

Tais fatos precisam ser muito bem esclarecidos. A cada dia fica mais evidente que a saúde no Amazonas vinha sendo um dos alvos preferenciais para práticas delituosas de diversos tipos. 

Vale ressaltar que os recursos “lavados” teriam sido usados para ampliar a influência política de seus líderes. A suspeita do MP é que o dinheiro tenha alimentado caixa 2 para irrigar campanhas nas eleições de 2012, quando muitos pescadores concorreram ao cargo de vereador nas diversas Câmaras Municipais espalhadas pelo interior.

A investigação do MP não pode parar. É preciso descobrir quais candidatos foram beneficiados pelo dinheiro desviado, quem foi eleito, que outros órgãos, além da Fepesca, receberam a verba desviada, qual foi a real extensão da participação da Susam no esquema, dado que, no mesmo período, estava em atividade na secretaria um dos maiores esquemas de corrupção já descortinados no Amazonas.   

A sociedade merece explicações, e merece, principalmente, que os criminosos sejam identificados e punidos segundo o rigor da lei. Os pescadores merecem melhores representantes, que os tratem como cidadãos que são, não como massa de manobra, curral eleitoral e disfarces para roubar dinheiro público.