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Editorial

Planejamento contra as cheias

07/03/2019 às 08:03
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A cheia é um fenômeno natural que acontece todos os anos, com maior ou menor intensidade, mas sempre ocorre. Ele é parte fundamental da vida dos rios na Amazônia: com o degelo nos Andes e a estação de chuvas na região Amazônica, é natural o aumento no nível dos rios, volume extra que será perdido com o cessar das chuvas em um ciclo contínuo. O problema é que a intensidade das cheias aumentou enormemente nos últimos dez anos, causando graves prejuízos, principalmente ao povo do interior, que sobre com alagamentos e perda da produção rural.

Estudo do Inpa mostra que, antes de 2008, o nível do Rio Negro só ultrapassava 29 metros a cada 20 anos. Agora, ultrapassa a cada quatro. O que causa essa alteração no ciclo natural dos rios? Vários estudos apontam o aquecimento global entre os principais motivos. Apesar de não haver consenso na comunidade científica quanto às causas da elevação da temperatura média do planeta, o fenômeno é um fato e as nações precisam tomar medidas urgentes em relação a isso. O Brasil tem papel central nessa discussão, uma vez  que  a Floresta Amazônica é tida como indispensável para o equilíbrio do clima na Terra. A despeito do ímpeto do agronegócio em avançar sobre as florestas, mais do que nunca, preservar é preciso.

Enquanto as nações não resolvem começar a agir, o Estado do Amazonas precisa lidar com o drama da cheia. É difícil compreender por que ainda não existe um plano de contingência para uma situação tão freqüente. Foram cinco grandes enchentes desde 2008, mas a ação do poder público sempre ocorre depois que as pessoas já estão ilhadas em suas próprias casas. Será que não é possível calcular o tamanho da cheia e tomar medidas preventivas para, pelo menos, amenizar os danos? É preciso mapear os municípios em risco de serem mais duramente afetados, remover famílias antecipadamente, providenciar abastecimento de água potável, enfim, agir antes do avanço exagerado das águas. Isso pode ser feito, basta planejamento e vontade política.

Infelizmente não é o que acontece. A cheia vem junto com os prejuízos e o risco à saúde das pessoas; só então o poder público age como se atingido por um desastre natural completamente novo e imprevisível. Essa lógica precisa mudar, até porque, ao que tudo indica, as grandes cheias devem ficar ainda mais frequentes se o aquecimento global não for contido.