Publicidade
Editorial

Plano Amazonas no Brasil

07/01/2019 às 09:54
Show show 1431302 e995b4f2 4a2c 4c12 8c3e 3e845b1ced3d

O Governo do Amazonas já nessa fase inicial do mandato necessita mobilizar as forças vivas realmente preocupadas como futuro deste Estado, o que passa fundamentalmente por criteriosa revisão dos projetos formulados e daqueles executados, os resultados previstos e os alcançados, todos eles apresentados em nome do desenvolvimento regional. Não é trabalho com resposta em curto prazo, trata-se de dar o primeiro passo nessa direção dentro da atual conjuntura nacional e internacional.

Há, na tradição político-administrativa brasileira, a conveniência de acordos, a ideia de interdependência dos poderes instituídos, da nação federativa e de um governo central constitucionalmente comprometido com o País está posta. Na prática, o preceito é exercício do jogo de poder que irá configurar quais Estados deverão ter maiores fatias da cota da União e quais deverão gravitar em torno de outra ideia, da subdependência, do subdesenvolvimento, de uma postura que trata essas unidades federativas como subcoisas ou lugares problemáticos colocados em segundo plano na hora de decidir e executar as ações.

O Amazonas é secularmente tratado como uma dessas subcoisas do Brasil. As falas dos poderes reforçam a primeira ideia e os atos as confirmam. Um farto material nessa área tem sido produzido tanto nas notícias diárias que produzem um cenário rico para traduzir o que os governos pensam sobre os Estados subdesenvolvidos e como estes devem ser tratados, no geral a noção cultuada é que as populações desses lugares devem “comer capim”. O Governo Federal, nesse sentido, reproduz uma ideia que está na sociedade nacional e, periodicamente, ganha o espaço público com ares de naturalidade.

Caberá ao povo do Amazonas e as representações da sociedade retomar posicionamentos que enfrentem esse tipo de entendimento com atitudes concretas, criativas, inteligentes e o mais plural possível. Sem um salvador da pátria Amazonas, e sim com todos reunidos em torno de um bom plano para o Amazonas. O diálogo entre os poderes da União e do Estado não pode ser pautado pela subserviência (do executivo e do judiciário estaduais, e das representações parlamentares), se assim permanecer não é diálogo, é imposição supostamente negociada, é supressão dos direitos e aceitação do papel dado ao Estado. O Amazonas não é o primo pobre da história nem o mendigo da  praça pública nacional, ao contrário, suas potencialidades –  dentro de uma perspectiva ecologicamente sustentável – são enormes e realizáveis.