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Editorial

Política e preço da passagem de ônibus

23/02/2017 às 23:48
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Amanhã, os usuários de ônibus em Manaus passam a pagar R$ 3.80 pela passagem. Esse é um dos desfechos temporais da política para beneficiar grupos. O que se vê agora é o impacto negativo na vida da população em consequência do rompimento de acordos políticos, eleitorais e eleitoreiros.

O que tem a ver as formas de reajuste da tarifa de ônibus, as condições do transporte público e a qualidade da frota com o modelo de fazer política no Brasil? Esse é um questionamento que deve merecer atenção maior por parte da população e diretamente dos eleitores. Tanto as políticas governamentais quanto as políticas públicas têm ligações diretas com os pactos eleitorais feitos. De acordo com o nível desses acertos tais políticas tendem a avançar ou a retroceder.

O que se assiste no País é uma onda de retrocesso. A precarização dos serviços ao mesmo tempo em que os reajustes para mantê-los são oficializados é resultado da combinação perversa desses acordos e desacordos não em nome de propostas que tenham na sociedade a preocupação maior ou que priorizem segmentos da população mais desprotegidos. Se postos na balança, os pactos políticos-eleitorais são reveladores de quadros por vezes indigestos que precisam ser conhecidos pelos contribuintes delimitando quem ganha, o que ganha, e quem perde.

Nesse sábado, os usuários de transporte coletivo irão experimentar o gosto salgado desse tipo de ação política. E para que se resignem com o preço cobrado há promessa por parte do gestor municipal de colocar aparelhos de ar condicionado e Internet nos ônibus. Uma proposta que não é nova e, talvez, se fosse levada a uma consulta pública, os gestores encontrassem como resposta outro desejo da maioria dos passageiros, dispor de transporte público de qualidade o que envolve respeito ao tempo de espera do usuário e esforços para reduzi-lo cada vez mais, lotação decente, ônibus limpos e conservadores, motoristas e cobradores devidamente preparados para lidar com o público. Os usuários de ônibus querem mesmo é ter uma tarifa justa, um sistema funcional que lhes permita transitar na cidade com segurança.

Infelizmente, o reajuste na tarifa de ônibus que entra em vigor em meio as folias carnavalescas não representa melhoria no sistema e sim um fardo a mais para os passageiros carregarem.