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Editorial

Política e violência em Manaus

22/07/2018 às 20:35
Show corpo mala

O tom da campanha eleitoral está em medição e o som repete notas de um gesto só enquanto o Estado do Amazonas e, principalmente, a cidade de Manaus são submetidos a um ritmo de violência que produz os mais diversos comportamentos da sociedade. Uma reação diante da aparente dificuldade, omissão e atos falhos por parte dos governos nas ações de prevenção e de combate ao sistema de violência instituído.

Em Manaus, nas duas últimas semanas, a mídia apresentou uma série não combinada de assassinatos, a maioria é de jovens e, no geral, mortes provocadas por grupos rivais de narcotraficantes ou por dívida a traficantes. As explicações oficiais recorrem a uma guerra entre esses grupos na disputa pelo controle das áreas de expansão e dominação pelas drogas na cidade e nos demais municípios amazonenses. Indicar possíveis motivações para a sucessão de ataques e mortes é importante, mas em si não resolve e não reduz o pavor que acomete a população. Sem outros dados, o efeito é ainda mais negativo porque parcela expressiva da população teme ser a próxima vítima dessa guerra que encontrou no Estado um campo apropriado para expandir seus negócios.

As organizações criminosas avançam, impõem códigos de conduta aos moradores e decidem como e o que deve ser feito. As autoridades trocam farpas, discutem de quem é competência e demonstram nesse estilo o porquê de Manaus se encontrar em situação crítica no que se refere à segurança pública sendo, a cada dia, transformada na base de grandes grupos do narcotráfico nacional/mundial. E da capital esses conglomerados se apropriam com facilidade das outras cidades da região.

Adolescentes e jovens são capturados como presas fáceis para fazer o negócio render, na condição de usuários e de repassadores. Quando falham são mortos como peças que precisam ser descartadas. É a lei vigente do sistema de narcotraficantes cujas células estão espalhadas nos mais diferentes pontos. A lei do Estado de Direito é silenciada e a ideia da justiça com as próprias mãos ganha reforço em um ambiente dessa natureza. Uma das tarefas urgentes, nesse momento de campanha eleitoral, é que os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, os representantes das instituições empresariais e religiosas reaproximem-se e reconheçam a gravidade em que vive a população do Amazonas e realizem ações que possam enfrentar a violência generalizada.