Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
Editorial

Políticas públicas para mulheres


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22/04/2019 às 07:51

O aumento de 73% nos casos de violência contra mulheres no mês de janeiro, na comparação com igual mês de 2018, é um dado preocupante que deve ser levado em conta pelas autoridades constituídas. É preciso investigar as causas que levaram a esse resultado triste. Analistas avaliam que o aumento pode estar relacionado, em parte, ao encorajamento por parte do público feminino, cada vez mais consciente de seus direitos e com coragem para denunciar as agressões que, em outros tempos, eram suportadas em face da dependência econômica em relação ao marido ou companheiro agressor.

Quando se fala de empoderamento feminino, infelizmente, uma parcela da sociedade ainda levanta a voz de forma contrária, relacionando ao que considera aspectos negativos do feminismo, na esteira da onda conservadora que persiste no País. Até que ponto esse conservadorismo e o próprio discurso dos poderes constituídos contribui para a construção de um ambiente mais hostil às mulheres é algo a ser analisado pelos estudiosos da sociedade.

Longe de ter raízes em orientações de esquerda ou direita, o chamado “empoderamento” – entendido como a tomada de consciência por parte das mulheres quanto a seus próprios direitos, e à obtenção de ferramentas para bem exercê-los – é necessário e fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e segura para todos.

Enquanto essa evolução não acontece – talvez sejam necessárias mais algumas décadas –, mulheres vítimas de violência convivem com certas posturas machistas que acabam reduzindo-as em relação aos homens. Ainda é muito frequente, para nossa vergonha, a atribuição de culpa à vítima. Daí o temor de muitas mulheres agredidas em quebrar o silêncio, levar o caso à polícia e denunciar a agressão. Quanto a isso, há atitudes que o poder público pode tomar. Um deles é qualificar pessoal para prestar um atendimento adequado. Outro é ampliar o número de delegacias especializadas em proteção à mulher, inclusive no interior, que sofre com a ausência do Estado em vários aspectos. 

No Parlamento Estadual, surgem algumas propostas objetivando prover melhor assistência a mulheres agredidas. Resta saber se os deputados terão bom senso para discuti-las e aprimorá-las, principalmente considerando que o próprio plenário da Assembleia Legislativa tem sido palco de manifestações lamentáveis contra mulheres.


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