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Editorial

Ponderações ambientais

28/07/2017 às 23:04
Show amaz nia

O Estado do Amazonas, como de resto toda a Amazônia Legal, é pouco compreendido nas grandes decisões nacional e isso pode ser percebido por todos que, conhecendo a região e suas profundezas, professam ideários completamente diferentes.

Pegue-se, por exemplo, a ex-reitora da Universidade do Estado do Amazonas, Marilene Corrêa, para quem tudo o que o Estado Nacional não compreendeu ou quis organizar chamou de Amazônia; e o atual Comandante do Exército, general Eduardo Villas-Boas, que recentemente afirmou ser a região dirigida mais pelos interesses dos outros do que os dela própria. Ambos são insuspeitos para falar sobre a região, posto que, no caso da professora-doutora, vive e trabalha na região, e no do general, um dos militares brasileiros que por mais tempo serviram em unidades militares da Amazônia, tendo inclusive chefiado o Comando Militar da Amazônia.

 Neste sentido é preciso colocar em perspectiva a fala e as ideias do secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Alfredo Sirkis, que hoje, em A CRÍTICA, defende a adoção de uma série de medidas econômicas para estimular que as pessoas não desmatem a floresta, mas ao mesmo tempo pensa que a pavimentação da  rodovia BR-319, a Manaus-Porto Velho, A pavimentação da BR-319,  que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), precisa ser encarada com extrema profundidade e cuidado. Por cuidado e profundidade, Sirkis entende que não se deve repetir aqui o que chamou de desastre da BR-163 (Santarém-Cuiabá), uma das vias de escoamento da produção de soja do Centro-Oeste para o porto da Cargill. Em que pese a reflexão ter certo sentido, é preciso dizer que o Pará é cortado por rodovias federais, a Belém-Brasília e a Belém-São Luís, por exemplo, e a BR-319 é a única via rodoviária que liga Manaus, uma das dez maiores capitais brasileiras, aos centros consumidores de nossos produtos. Neste sentido, podemos recorrer ao dito popular e lembrar que “Existem estradas e estradas”.

  A recuperação da BR-319 é estratégica para o futuro do desenvolvimento do Estado e neste processo de recuperação a variável ambiental deve ser muito  bem sopesada. O que não pode, neste caso, é ter uma decisão governamental tomada há mais de dez anos (pela recuperação) e as obras não sairem do papel.