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Editorial

População corre da própria sombra

31/05/2018 às 20:19
Show comerciantes

A condição de viver sob a lei da violência urbana, e não somente desse meio, é citada em coro cada vez mais forte pelos habitantes de Manaus sejam quais forem seus perfis socioeconômicos, sejam quais forem os ambientes – das residências, às lojas, às igrejas, os ônibus do transporte coletivo. 

Lentas são as ações governamentais para enfrentar o drama diário a que a população está sendo submetida. O medo ganha abrangência e muitas pessoas reagem literalmente à própria sombra, correm dela por entenderem se tratar de alguém que as quer assaltar, relatos dessa natureza são cada vez mais comuns e indicam o tamanho do pânico em ação. O sentimento alimentando por amplos setores da sociedade é de abandono por parte das representações governamentais e de que cada pessoa deve por conta própria encontrar os meios de se sentir segurança e de lidar com a violência.

O quadro assim pintado exacerba a relação de violência como regra de convivência e a alimenta tornando mais grave ainda o que já é um dos problemas mais profundos desses tempos.  Em Manaus, a sensação de abandono é experimentada a partir do olhar para a cidade, largada tanto na zona central quanto nas zonas mais periféricas, ruas tomadas por buracos, meios-fios destruídos na maior parte dos trechos urbanos, lixo acumulado e espalhado, capinagem defasada, falta de pintura dos bens públicos e depredação continuada, o que faz do andar nas ruas da cidade uma aventura arriscada sujeita a acidentes.

Em clima de desmando, as invasões de calçadas, o completo desrespeito às leis de trânsito e o avanço de construções comerciais que ignoram a necessidade legal de ter espaço para o estacionamento de veículos são atos corriqueiros. A aparente lógica é a de que está tudo liberado e os mais espertos serão os vencedores desse tipo de ação. No conjunto, a cidade como espaço e lugar de convivência assume a feição de um campo de guerra e cada qual irá lutar com as armas que conseguir reunir. Não é difícil às organizações criminosas ampliarem suas bases nesta região que lhes oferece ambiente favorável para arregimentar mais gente, principalmente os jovens, e fazer crescer seus negócios e lucros, dessa forma estabelecem e fazem funcionar outras regras de poder que exigem violência para proliferarem.