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Editorial

População não aguenta novo reajuste

24/01/2018 às 22:37
Show transporte 123

No início de cada ano, algumas coisas fazem parte da rotina dos manauaras: dificuldades financeiras por conta dos gastos de dezembro, primeiros sinais de Carnaval  nas ruas e greve dos rodoviários por reajuste. Com direito a muita dor de cabeça para os usuários do sistema de transporte coletivo de Manaus. Neste ano, não está sendo diferente. A queda de braço entre sindicato e empresas de ônibus continua, e com a também tradicional participação da Justiça.

O problema é que, nessa disputa, frequentemente quem leva a pior é o usuário, que acaba tendo que arcar com uma passagem de ônibus mais cara.

Ocorre que, em 2018, o desfecho não pode ser esse. Manaus já tem uma das passagens de ônibus mais caras do País, superior ao  preço praticado em Brasília, e o mesmo preço de São Paulo, sendo que a qualidade do serviço nessas capitais  é muito - muito mesmo - superior ao que se vê em Manaus, com seus veículos sucateados, sem segurança e sem vistoria há anos.

E aqui cabe uma ressalva: como as empresas ficaram tanto tempo sem recolher tributos, sem realizar as vistorias nos veículos sem que sobre elas recaíssem as penalidades previstas em lei? É impossível não supor que a Prefeitura de Manaus, a quem cabe o dever de acompanhar o serviço e fiscalizar as empresas, tenha feito vista grossa às ilegalidades cometidas pelas empresas que operam o sistema local de transporte coletivo.   

Voltando à péssima qualidade do serviço; fica muito difícil aceitar um novo reajuste. Os funcionários das empresas de ônibus, é claro, têm todo o direito de terem seus salários reajustados, mas os empresários terão que encontrar uma forma de conceder o reajuste sem repassar a conta aos usuários, que já estão no limite da paciência. 

Ontem, a Justiça estadual tomou uma importante decisão ao determinar  liminarmente que a Prefeitura de Manaus não autorize reajuste do transporte coletivo convencional até que as empresas concessionárias promovam o licenciamento dos carros irregulares, comprovem a existência de plano de manutenção periódica dos veículos e, ainda, providenciem a renovação da frota nos moldes determinados pela Lei Orgânica do Município (Loman). Ou seja, a Justiça fez o  que a Prefeitura devia fazer, obrigar as empresas a atuar de forma regular e dentro da lei.