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Editorial

Por menos ódio na internet

06/12/2016 às 22:56
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As redes sociais já estão entre os mais importantes meios de comunicação do mundo. Sites como o Facebook são importantes disseminadores de informações de todo tipo, sendo ferramenta indispensável na comunicação de pessoas físicas, empresas, instituições de todos os segmentos e para divulgação de ideais de qualquer natureza. Os promotores do ódio, especialmente os militantes de organizações como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico, sabem disso muito bem e têm usado esses meios com bastante êxito para recrutar seguidores e divulgar suas crenças  fundamentalistas.

De sua parte, as redes sociais sempre tentaram manter uma postura de neutralidade, colocando-se na cômoda situação de “meio” sem qualquer responsabilidade sobre os conteúdos veiculados. Chegou o momento, porém, em que as teorias do professor canadense Marshall McLuhan, mais uma vez, mostram-se perfeitamente adequadas. O teórico afirmava que “o meio é a mensagem”. Por esse ângulo, não há espaço para  neutralidade das redes sociais. Os grandes meios de comunicação online precisavam sair de cima do muro e posicionar-se quanto a questões centrais como o avanço do terrorismo.

A iniciativa de grupos como Facebook, Microsoft e Google em criar mecanismos em conjunto para barrar a difusão de conteúdos que exaltam o terrorismo, o racismo e o preconceito de qualquer tipo é louvável e merece todo apoio da sociedade. É claro que um longo caminho precisa ser trilhado, mas o primeiro passo já foi dado quando essas empresas reconhecem conjuntamente a necessidade de abandonar a inércia e fazer algo a respeito. Ao tomar essa atitude, os grupos de comunicação online também buscam combater um outro mal que envolve todo o mundo digital com reflexos dramáticos na vida das pessoas: a desinformação. A velocidade com que uma notícia falsa é fabricada, difundida e repercutida é espantosa. De um modo geral, as pessoas não buscam a confirmação da notícia que surge na timeline. Ela é tomada como verdadeira, colocando em xeque a reputação e credibilidade de pessoas e empresas. Um fenômeno que merece um estudo aprofundado é o que torna qualquer pessoa, em atividade nas redes sociais, em especialista de tudo, pronto para manifestar sua condenação sobre fatos que supõe verdadeiros, mesmo que desafiem o limite do que é razoável. Contra isso, estão em desenvolvimento mecanismos que sejam capazes de identificar e barrar a divulgação de notícias falsas. Enquanto essas novidades não chegam, só podemos contar com o bom senso das pessoas.