Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2021
Editorial

Por onde andam os parlamentares ?


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18/01/2021 às 06:52

Com honrosas exceções, a  omissão do Poder Legislativo diante da tragédia amazonense é uma atitude a ser tratada como estudo de caso e os resultados dele colocados em profusão à disposição da população do Estado, a mesma que, como eleitora, legitima os mandatos desses e de outros representantes nos espaços de poder.

Um poder voltado para questões tão distantes da realidade da população que em uma situação caótica como a que Manaus e outros Municípios vivem não se apresenta e se coloca para ser parte da busca de soluções imediatas que salvem vidas e minimizem o sofrimento de milhares. Bem remunerados, a maioria dos parlamentares permaneceu em suas disputas mais intestinas enquanto corpos eram multiplicados por falta de ambulância, de vagas e de oxigênio. Uma atitude de desprezo às dores de tantos no Amazonas e no Brasil. A preocupação em medir a audiência permanece maior do que um gesto conjunto e que contivesse o mínimo de dignidade e de respeito público a dor das famílias atingidas pela pandemia da Covid-19.

Diminuíram-se em seus egoísmo e vaidade quando deveriam ter tomado à frente de algumas tarefas que não podiam aguardar o dia seguinte e não mais se tratava de ser situação ou oposição, mas salvar vidas. Tanto na catástrofe construída para a população do Amazonas, principalmente a de Manaus, Manacapuru, Iranduba, Presidente Figueiredo e São Paulo de Olivença, quanto no dever de se colocarem em defesa intransigente da adoção de protocolos que agilizassem, por parte do governo federal, a vacinação dos brasileiros.

Silenciaram, desapareceram como homens públicos e detentores de mandatos com deveres constitucionais. Diante da tragédia optaram por produzir efeitos que a tornassem maior. Demonstraram que o sistema político como está concebido e constituído apodreceu, serve aos interesses negociados entre os grupos que ocupam espaços e usam o poder em benefício próprio.

A reunião da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no domingo, para decidir sobre o uso emergencial das vacinas Coronavac e da Oxford, era mais um dos espaços em que parlamentares deveriam ter atuado de forma conjunta, firme e visível a partir dos locais onde se encontram. Os do Amazonas, representantes de um povo em situação de tragédia, tinham o dever de ter mostrado a cara. Outros brasileiros agiram em vigília em nome da população e dos doentes ameaçados de morte para que hoje se tenha a aprovação da Anvisa. Que esse episódio não seja esquecido e ou minimizado nas futuras campanhas eleitorais.

 


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