Segunda-feira, 14 de Junho de 2021
Editorial

Por que deixar chegar a esse nível?


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18/05/2021 às 07:42

Os relatos de dificuldades porque passam milhares de famílias amazonenses em decorrência da crescente enchente dos rios Solimões e Negro aumentam e se diversificam.

Não é novidade o ciclo anual de enchente e vazante dos rios da Amazônia. Trata-se de dinâmica natural com movimentos em alguns anos que alteram os volumes de água para mais, como ora ocorre, ou para menos. Acompanhar tecnicamente a dinâmica desses ciclos é possível e, se o acompanhamento for feito com responsabilidade, eficiência e eficácia, poderia evitar prejuízos, desespero e morte.

 O Amazonas e de modo geral a Amazônia têm condições de ser exemplos mundiais sobre como lidar com enchente e vazante numa convivência mais harmônica e como manejar, de forma competente, as fases de maior enchente e maior vazante, minimizando os efeitos negativos tanto para a sociedade quanto na economia, na saúde e na educação.

A forma de tratamento dispensada a tal dinâmica é arcaica e viciada em práticas que já deveriam ter suprimidas pela sequência de erros e de desvio de condutas cujo resultado, quando somados esses efeitos, é desastroso. Um dos detalhes que chama atenção pela cansativa repetição da postura é o processo de aquisição e entrega da madeira. Os destinatários – moradores em áreas tomadas pelas águas -  relatam, diariamente, à mídia que a demora na entrega da madeira é grande ao ponto de chegar quando as águas já estão baixando ou baixaram.

Juntar a ciência e o conhecimento popular na produção de um sistema permanente de monitoramento das águas geraria aos governos incrementos valiosos em diferentes áreas. Na ciência, uma conduta interdisciplinar que se constituiria em outra cultura pedagógica, situar as instituições de ciência e suas equipes em padrão de incentivo contínuo na produção do conhecimento, valorizar de fato o conhecimento popular e estabelecer parcerias estratégicas, constituir/apoiar laboratório ágil e de pesquisas sobre a dinâmica das águas. No cotidiano, as famílias em situação de risco estariam sendo constantemente mapeadas e receberiam informações confiáveis para, junto com as instruções governamentais, tomarem medidas de prevenção ao serem orientadas sobre como lidar com a subida e a descida das águas.     


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