Sábado, 04 de Dezembro de 2021
Editorial

Por um mundo sem pobreza menstrual


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08/10/2021 às 06:49

Pobreza menstrual é um termo que resume de maneira imperfeita a situação dramática de mulheres que não têm renda suficiente para adquirir absorventes, todos os meses, durante o período menstrual. De maneira imperfeita porque os constrangimentos não terminam na falta de recursos mínimos para uma existência digna, mas se estendem a outros aspectos da vida, como a escolar. É uma situação dramática que permanece oculta nas diversas camadas do convívio social, mas que se evidencia em situações como ausências injustificadas de jovens estudantes às aulas.  

Por mais incrível que possa parecer, os absorventes higiênicos não constam no rol de itens de primeira necessidade e que, por essa razão, contam com menor incidência de impostos. Técnicos do Senado calculam em R$ 30 o gasto médio apenas com absorventes todos os meses. O que pode parecer pouco para muitos, significa constrangimento atroz para milhões de mulheres em todo o País. Deveria ser motivo de vergonha nacional que tantas mulheres ainda tenham que recorrer a recursos como folhas, algodão, trapos, jornal e outros improvisos no lugar de um absorvente para conter o fluxo menstrual. A menstruação em si, ao longo da história da humanidade tem sido um fator de limitação da mulher. No Brasil, como em quase todos os lugares do mundo, existem até mesmo termos pejorativos para se referir às meninas menstruadas que se encontram privadas de algum aspecto do convívio social. 

No ano passado, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), órgão ligado ao governo federal, aprovou recomendação ao presidente da República e ao Congresso Nacional visando a criação de uma política nacional de superação da pobreza menstrual. A recomendação coincidiu com a chegada no Senado de projetos de iniciativa popular propondo a distribuição gratuita de absorventes para quem não tem condição de comprá-los. Um dos projetos prosperou, foi aprovado e levado à sanção presidencial. Lamentavelmente, foi sancionado com vetos que inviabilizam a iniciativa em si. Felizmente, o veto pode ser derrubado pelo Legislativo, que tem agora uma excelente oportunidade de mostrar que vale a pena ter representantes e que há algum comprometimento com questões de relevância social com esta.


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