Publicidade
Editorial

Precisa dar certo

20/06/2016 às 23:40
Show zfm

Há cinco anos, uma ação coordenada entre Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e governo do Estado tirou do papel uma iniciativa louvável. Foi criado o Distrito Industrial das Micro e Pequenas Empresas (Dimpe). O plano era impulsionar negócios nos segmentos madeireiro-moveleiro, de fitofármacos e de fitocosméticos, tidos como estratégicos para o futuro do modelo incentivado amazonense. A Suframa investiu R$ 5,5 milhões e o Governo, R$ 565,9 mil. A autarquia destinou, ainda, R$ 120 mil para a aquisição de materiais e equipamentos, totalizando aportes de R$ 5,6 milhões. O projeto foi muito celebrado pela classe empresarial, mas algo saiu errado.

Desde que começou a operar, há cinco anos, o Dimpe gerou, em impostos, pouco mais de 20% dos aportes que recebeu. E é responsável por apenas 136 empregos. Pouco para o que prometia ser uma das molas propulsoras da Zona Franca. Os empresários culpam a burocracia, que lançaria mão de critérios não técnicos para escolha dos negócios beneficiados. É inadmissível que uma estrutura com o potencial que tem o Dimpe seja usada politicamente para favorecer negócios de “amigos” do poder. A situação se torna ainda mais grave quando se considera o atual cenário político-econômico do País. Quando mais precisamos fomentar investimentos, não se pode desperdiçar uma ferramenta tão importante, que já dispendeu tantos recursos.

O que se espera é que a Secretaria de Estado do Planejamento (Seplancti), juntamente com a Suframa, repensem os critérios e regras do projeto. Que haja transparência no processo de escolha das empresas apoiadas e que se criem mecanismos para favorecer o crescimento dos novos negócios. Infelizmente, não é o que temos hoje, o que não se deve, certamente, à falta de interessados em investir. Mas segurança e clareza de regras são quesitos que não podem ser desprezados por nenhum empreendedor. Daí o esvaziamento dos galpões.

O Dimpe ainda é um projeto jovem, que pode ser adaptado, aperfeiçoado e transformado em um modelo de sucesso para o País. A Zona Franca, como resultado da crise político-econômica que assola a nação, enfrenta um dos períodos mais desafiadores de sua história. Neste cenário, o Dimpe não pode se perder em debates infindáveis sem que se chegue a mudanças concretas. É um projeto que precisa dar certo.