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Editorial

Precisamos de novas estratégias

22/09/2016 às 22:00
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A  Universidade Federal do Amazonas (Ufam) encerrou, ontem, o 4º Seminário Internacional de Ciências do Meio Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia (Sicasa) com pesquisadores, professores e acadêmicos tentando dar respostas para o desafio que é alcançar o desenvolvimento sustentável na região nos próximos 14 anos, como prega o painel de metas da Organização das Nações Unidas (ONU).

É a quantidade de desafios não são poucos, passando por ações institucionais, pessoais e multinacionais, posto que a Amazônia tem essa característica de ser internacional e multiética e diversa.

No painel final as questões em debate foram as mudanças climáticas e o uso sustentável das florestas, dois temas que estão na ordem do dia de quem tenta equilibrar o desenvolvimento econômico “pareado” a necessária susterntabilidade dos processos. O bom encaminhamento de ambos têm essa caractérística transnacional, posto que o mundo é responsável pelas emissões de gases do efeito estufa que estão no centro das mudanças climáticas. Sustentabilidade, portanto, exige ações coordenadas com outros países e instituições multilaterais, o que em tempos de crise é um complicador de grande monta. Neste sentido, sábias foram as palavras  do cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Niro Higuchi, para quem “o mundo mudou e está mudando e nós sabemos muito pouco sobre as nossas vulnerabilidades”.  “É preciso saber quais são essas vulnerabilidades em relação às mudanças do clima para poder nos preparar para futuras adaptações”, afirmou o pesquisador, que coordenou o Grupo de Trabalho de ontem.

Outro ponto debatido com ampla profundidade durante o evento foi a responsabilidade do Estado Brasileiro sobre a região, tradicionalmente ignorada por gestores que focam suas políticas públicas em regiões mais ricas e populosas em face da disputa por votos nas eleições.

Uma das conclusões é que o Estado Brasileiro não têm uma estratégia para a região desde a ditadura militar, que, equivocadamente ou não, pensou a região a partir da construção de rodovias, assentamentos, migrações e instalação de projetos de desenvolvimento como o da Zona Franca de Manaus, que originalmente era uma ideia do deputado Francisco Pereira da Silva.