Domingo, 15 de Setembro de 2019
Editorial

Preços mais altos para gasolina e diesel


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07/09/2019 às 07:35

Há três dias motoristas de carros reclamavam, em Manaus, do preço alto da gasolina. Em um posto na área central da cidade, o valor do litro era R$ 4,90 e, nos demais variava entre R$ 4,20 e R$ 4,60. Na quinta-feira, a Petrobras anunciou reajuste de 2,5% no preço da gasolina, e de 1,30% no do diesel o que deverá se refletir de forma pesada para motoristas e usuários de carros próprios, do serviço de taxi e Uber. Em 20 dias, é o segundo reajuste nos preços dos derivados em meio a um discurso oficial que provoca   insatisfação de setores da sociedade em função do não controle dos preços e da fiscalização frágil.

Em Manaus, onde há tempo motoristas reclamam e questionam do descontrole nos preços dos combustíveis, a mais recente Comissão Parlamentar de Inquérito realizada chegou à conclusão de que não há anormalidade no setor. É, no mínimo, estranho o resultado considerando a série de situações a que a população usuária desses serviços vem sendo submetida, o que revela desrespeito, falta de transparência sobre a política de reajuste de preços que vigora na cidade. 

Nesse sentido, a CPI produziu mais desconforto e desalento aos usuários porque deixou de usar, legitimamente, o mecanismo para apresentar um panorama tecnicamente atualizado desse setor, explicitar determinadas realidades e recomendar a adoção de posturas mais responsáveis; o que prevalece é uma dança dos preços que é diária e submete os motoristas a exercícios mirabolantes para conseguir encontrar um posto de revenda de combustíveis com preço mais baixo e produto com algum grau de confiabilidade. Ou seja, são milhares de pessoas a mercê de um sistema obscuro. 

A Petrobras informa que o repasse do reajuste às bombas irá depender de políticas comerciais de distribuidoras e postos de revenda. Em Manaus, essa política tem servido para deixar distribuidoras e postos praticamente livres na adoção dos valores que considerarem adequados e se torna enquanto política um meio de conduzir, sem a devida fiscalização, a tabela de preços dos derivados de petróleo de acordo com os interesses de um aparente cartel em vigor no setor. Se este não existe, as investigações não conseguiram, até hoje, apresentar resultados que esclareçam a população de como funciona o segmento, quem são os donos e quais braços representam e permanece a sensação de que o cartel existe e funciona.


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