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Editorial

Prefeituras e a corrupção

17/05/2016 às 22:46
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Os números divulgados pelo Ministério Público do Amazonas sobre a corrupção nas prefeituras levam, inicialmente, ao entendimento de que o esquema corruptor atingiu completamente às gestões municipais. Dos 62 municípios que compõem o Estado, 30 estão sob investigação. O quadro remete a uma anomalia sem precedente e, antes que se chegue ao consenso de que todos os prefeitos amazonenses estão envolvidos com desvio de dinheiro público ou outras atividades ilícitas parece necessário colocar à disposição da sociedade algumas informações que possibilitem compreender qual é o cenário das denúncias ora sob investigação.

Os atos ilícitos se repetem nessas prefeituras? Os 30 prefeitos sob investigação atuaram na mesma linha e têm alguma conexão com estruturas maiores de poder? O que fazem as equipes dos órgãos auxiliares às administrações municipais para que possam seguir legalmente os trâmites? Prefeituras de interior, com as características do Amazonas, a exceção daquelas historicamente detentoras de orçamentos mais altos (como Coari e Presidente Figueiredo), vivem um eterno "pires nas mãos" e seus prefeitos se tornam rapidamente reféns do governo estadual e de parlamentares do Congresso Nacional. O que poderá vir a ser uma conexão importante nos esforços empreendidos para impedir e punir o desvio de recursos públicos.

Responder a esses aspectos significa não reforçar a impunidade e, ao mesmo tempo, avançar no combate aos corruptores ou chefes dos esquemas de corrupção que, como revelam capítulos da história, quase nunca estão nos municípios. Há, nesse trabalho, um outro dado que é o de gerar um ambiente de prevenção às condutas corruptas a partir do acesso e da melhoria de informação às populações desses lugares, aos comitês, aos estudantes, aos professores, enfim estimular, simultaneamente, que os cidadãos desses municípios sejam empodeirados para atuar como primeiros fiscais.

A tarefa é árdua diante de uma condição de completa contaminação do ambiente público pelo vírus da corrupção. O enfrentamento não terá êxito se amplos setores da sociedade não forem chamados a participar do processo e, nele, a cada dia, aprender a importância da conduta correta. É fundamental que as crianças, os adolescentes e os jovens possam ser formados nessa perspectiva para não crescerem com a noção de que a corrupção só é corrupção quando é do outro e não dos que estão no arco dos beneficiados por ela.