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Editorial

Prejuízos na ZFM por falta de fiscais

17/03/2018 às 18:48
Show porto

Como se não bastassem os problemas de logística, alta no custo do frete, crise econômica com produção e consumo em baixa, as empresas da Zona Franca de Manaus também sofrem com a falta de infraestrutura de órgãos federais. Uma das situações mais sérias é a do Ministério da Agricultura (Mapa). Ocorre que as cargas destinadas às empresas ou enviadas por estas precisam ser vistoriadas pelos fiscais agropecuários. A medida está de acordo com a lei e é necessária, mas o Estado brasileiro precisa garantir que o serviço seja feito de forma satisfatória, com mão de obra suficiente para executá-lo a contento, em prazo razoável.

O prazo razoável, no caso, seria de três dias, como geralmente ocorre nos demais portos brasileiros. E mesmo que os três dias fossem cumpridos - o que já seria uma enorme vitória para as empresas da Zona Franca de Manaus - ainda estaria muito aquém da agilidade de  portos como os da China, Cingapura e Inglaterra, onde a liberação de mercadorias ocorre no mesmo dia, em questão de horas. 

Como eles conseguem isso? São mais rápidos e inteligentes? Nada disso. Apenas utilizam sistemas com burocracia mínima, geralmente, um único documento que resume todas as autorizações requisitadas por diversos órgãos. É o chamado guichê único, cuja implantação o governo brasileiro estuda - ou diz que estuda - há vários anos. 

Enquanto o guichê único não sai do campo das ideias, o mínimo que o governo deve fazer é realizar concurso público para contratação de fiscais agropecuários. É um absurdo que um porto como o Chibatão, um dos mais movimentados da região, conte com apenas um único fiscal. E ele está nas orações de todos os gestores de fábricas do Polo Industrial de Manaus, pois se adoecer e precisar faltar ao trabalho, será um dia sem liberação de mercadorias, o que significa linhas paradas por falta de insumos ou atraso na entrega de produtos acabados aos varejistas e importadores. 

O Mapa informa que está modernizando os sistemas, fazendo análises para ver onde a presença do fiscal é realmente necessária. Também fala na reavaliação do quadro para redistribuir o efetivo em todo o País. Já é alguma coisa. O problema é que essas são medidas com efeito no médio prazo, mas as empresas de Manaus já estão perdendo competitividade e sofrendo prejuízos hoje.