Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
Editorial

Prejuízos repetem descaso


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22/06/2019 às 08:32

A cheia deste ano tem, entre outros números, o da perda na produção agrícola. A estimativa é de R$ 60,6 milhões e as produções de banana, macaxeira e mandioca aparecem como as mais afetadas, consequentemente, uma série de subprodutos também sofrerá o impacto do movimento para cima e mais prolongado das águas.

Uma questão central nesse assunto é o por que? Afinal, enchente, vazante, cheia, seca são ciclos que marcam a vida na Amazônia e podem ser, a partir do conhecimento obtido ao longo de décadas de pesquisa, monitorados para indicar tomada de decisão preventiva. Todo ano repete-se um mesmo movimento que inclui o dilema de moradores, os acidentes, a escassez de alimentos, morte de animais e, por vezes, de pessoas, prejuízos em série. Decretação de estado crítica, de emergência e de calamidade. Não há, na maioria dos casos, informações que apontem para a prevenção o que inclui ações ampliadas e tomadas em tempo hábil.

O tamanho de prejuízo ora calculado é apenas uma expressão daquilo que está acontecendo e o preço pago por se ignorar a prevenção, o monitoramento. É conhecida a experiência de outros países no controle de acidentes naturais, na montagem e operacionalização de sistemas que alertam para os perigos e  ou possíveis ocorrências muito mais velozes e mais graves porque têm poder imediato de matar milhares, como os maremotos, terremotos, furacões.

Não se ignora que elementos novos podem ocorrer na subida das águas dos rios, mas no geral, os indicadores possibilitam que governos em parceria com as comunidades, as instituições de ensino e pesquisa criem uma margem de proteção maior. O que aparece é a falta de interesse na tomada de decisão para educar quanto aos ciclos das águas e, desta forma, avançar nas medidas que poderão gerar uma convivência menos sofrida e prejudicial para a população, os produtores e os consumidores que, na ponta, irão igualmente sentir as consequências do descaso.

Espera-se que os prejuízos deste ano possam gerar a disposição governamental para tratar com maior seriedade esse assunto e. no ano de 2020, o movimento das águas seja tratado com respeito e responsabilidade político-administrativo e cientifico. Esse caminho não é impossível e pode apontar para uma convivência com a cheira noutra direção muito mais saudável e criativa.


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