Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Editorial

Presídios, inspeções e o futuro


compaj_20_83C71795-2295-46AC-AEE7-EF888571212D.JPG
10/06/2019 às 07:25

O que será feito do documento resultado das inspeções realizadas, a última delas em 6 de junho, por comissão parlamentar da Câmara dos Deputados às unidades prisionais de Manaus? Incluída no roteiro das chacinas nos presídios brasileiros, a cidade apresenta sinais graves dos problemas no sistema penitenciário estadual. E não consegue sair desse limite de atuação.

A conclusão que chegou a comissão não inova, renova as recomendações, alerta para os perigos que estão sendo acumulados não como material inerte em estoque e sim em plena ebulição pronto para agir, explodir. O relatório chama atenção para a quantidade de presos provisórios nos locais e o caráter de fragilização das ações de res socialização dos prisioneiros.

Os esquemas criminosos que tomam conta de instâncias prisionais e de órgãos que existem para fazer funcionar bem a estrutura de prevenção, repressão e cumprimento das penas estão sofisticados. Não sofrem recessão, ao contrário, dispõem cada vez mais de recursos financeiros colocados à disposição do financiamento da criminalidade. Viciado e em processo de decadência permanente, o sistema oficial não consegue assegurar avanços e suportes competentes para enfrentar a situação.

Há períodos em que governos conseguem, por algum tempo, estabelecer mecanismos de avaliação, de diálogo ampliado e de controle inteligente. Estes não têm conseguido perdurar diante de interesses de várias ordens que passam a impor e ditar as formas de acordo ou negociação em detrimento daquilo que deve efetivamente ser feito para a busca incessante da aplicação da Justiça.

Os dados oferecidos pelas inspeções parlamentares ganham importância por reafirmar a necessidade de ação por parte do governo estadual, por chamar a atenção a problemas que estão se tornando crônicos e, como tais, alimentam as distorções no sistema e deixar o indicador de que mais chacinas poderão acontecer se mudanças firmes não forem feitas. Não se desconhece o tamanho do problema que exige reunir inteligências para enfrenta-lo com chance de reverter a lógica implantada. Não há outra saída a não ser a de enfrentar. O deve ser modificado é a forma de enfrentamento e esta, por sua vez, reivindica conhecer, ter vontade política e disposição diária para quebrar os interesses criminosos que estão em ação e transformam o sistema e a sociedade em reféns. 


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.