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Editorial

Pressão sobre vereadores

12/06/2018 às 20:47
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A proposta de investigar o sistema de bilhetagem do transporte público de Manaus volta à cena desta vez por meio do movimento Fiscaliza Manaus. A Câmara dos Vereadores que derrubou o pedido feito pelo Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários em meio às negociações para suspender a greve da categoria. A postura da direção da CMM deixou revoltados motoristas, cobradores e usuários do sistema.

Agora, o Fiscaliza Manaus faz manifestações em defesa da CPI da Bilhetagem, como forma de esclarecer questões mantidas em sigilo e que afetam diretamente os passageiros de ônibus.  As sucessivas paralisações do sistema, a falta de transparência  na definição de taxas que são apresentadas como parte da composição de valores determinantes do preço da passagem criaram uma situação de instabilidade na cidade cujo resultado, no último protesto, foram depredações de 61 ônibus, tumultos e pessoas agredidas, na Zona Leste de Manaus.

Não estão descartadas novas paralisações dos trabalhadores dessa área, isso porque termos do acordo entre as partes estão sob o risco de não serem cumpridos. Há falta de adequada interlocução entre governo municipal, trabalhadores e empresários, o que favorece a manutenção do clima de hostilidade e de incerteza com o que irá ocorrer no dia seguinte. A ideia de uma Comissão Parlamentar de Inquérito aparece, atualmente, como um dos recursos possíveis para ajudar a ampliar a transparência em torno do sistema de bilhetagem nesse meio de transporte. Ainda que  CPIs apareçam na memória popular como um trabalho que tende a terminar em pizza, o instrumento, se responsavelmente manejado, poderia resultar na formulação de um quadro de informações públicas relevantes sobre um dos aspectos do setor de transporte público.

Entre os arranjos partidários e os interesses mais imediatos de grupos e ou de pessoas, o Fiscaliza Manaus apresenta aos vereadores e à sociedade uma reivindicação justa, em  área sensível até então submetida a uma espécie de lei do silêncio. A definição do preço da passagem de ônibus e os acordos em torno dele tem sido mais uma performance política-eleitoreira do que o esforço para estabelecer plano de governo para o setor e torná-lo do conhecimento da população principalmente das milhares de pessoas que diariamente necessitam desse transporte funcionando bem.