Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
Editorial

Prevenção contra coronavírus esbarra em costumes e convicções dos brasileiros


show_67739018-7113-4117-83ba-1d9de8ae6b15_1BC60707-5994-4111-9329-FF0C2C227188.jpg
19/03/2020 às 07:34

Com o avanço do coronavírus no País – até o final desta edição, o País já registrava três mortes e mais de 428 casos -, é essencial que redobremos as medidas de prevenção, especialmente no que diz respeito à higienização e aglomerações. Lavar as mãos com água e sabão frequentemente e higienizar com álcool gel na impossibilidade de lavá-las são atitudes tão importantes quanto evitar aglomerações desnecessárias. O problema quanto à limitação de eventos sociais com presença de muitas pessoas é que isso esbarra em costumes e convicções dos brasileiros.

A religiosidade sempre foi uma marca do nosso povo e é possível exercê-la nesse momento de crise sem se expor a riscos. Eventos religiosos – assim como os de qualquer outra natureza – devem ser evitados, sim. Isso não reduz em nada a fé de ninguém. Causa estranheza que no momento em que o País sofre com mortes e crescimento do contágio pelo novo coronavírus, líderes religiosos de renome convoquem os fiéis para participar de eventos que costumeiramente reúnem centenas de pessoas em ambientes fechados, exatamente o contrário do que recomendam a Organização Mundial da Saúde (OMS), governos de todo o mundo e o bom senso.

Esse é o momento em que vão ficar claras as reais intenções de populares líderes religiosos em relação a seus rebanhos. Existem aqueles legitimamente empenhados em contribuir na contenção do novo vírus, evitando aglomeração de fiéis nos templos, o que é perfeitamente possível por meio de celebrações e cultos que podem ser transmitidos por meios digitais. O Papa Francisco deu o exemplo no último dia 9, quando realizou uma missa online dedicada às vítimas do coronavírus em todo o mundo, especialmente na Itália. Outros líderes cristãos seguem pelo mesmo caminho, inclusive em Manaus, o que é um alento.
A fé precisa andar de mãos dadas com o bom senso.

Praticar jejum, em vez de combater o avanço do coronavírus, tem um resultado inverso: debilita o organismo, deixando-o mais vulnerável, não apenas à Covid-19, como a uma série de outras enfermidades. A responsabilidade das lideranças religiosas, que exercem influência sobre milhões de brasileiros, é enorme, e eles precisam ter a exata noção de seu papel no enfrentamento da crise.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.