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Editorial

Privatização desidratada

01/11/2017 às 21:03 - Atualizado em 01/11/2017 às 21:32
Show eletrobras 123

A privatização do Sistema Eletrobras pelo governo do presidente Michel Temer entrou, praticamente, em compasso de espera e, a exemplo da reforma da Previdência, poderá ser desidratada a medida em que interesses corporativos no Congresso Nacional possam prevalecer sobre a discussão técnica.

Ontem, por exemplo, uma decisão pessoal do presidente desagradou os técnicos da equipe econômica, que esperavam uma decisão mais célere sobre o caso, mas terão de encarar a velocidade que os congressistas quiserem dar a tramitação.

O caso é que os defensores da privatização no Ministério da Fazenda esperavam que o caso fosse encaminhado ao congresso na forma de Medida Provisória, que entra em vigor imediatamente e tem de ser votada o mais rápido possível por deputados e senadores. Alertado pelo presidente da Câmara Federa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre as dificuldades que este assunto desperta, o presidente decidiu encaminhar um projeto de lei, cuja tramitação é mais longa e depende de muita articulação política para seguir conforme os parâmetros técnicos desejados pelos idealizadores do processo.

No Congresso Nacional, por exemplo, o projeto do Executivo privatizando o sistema elétrico brasileiro vai encarar a oposição de praticamente toda a bancada de Minas Gerais, contrária a venda da estatal Furnas, uma conhecida moeda de troca política nas Alterosas.

No Nordeste é forte a oposição dos congressistas por conta da Chesf, estatal que comanda todo o sistema local  que envolve usinas  hidrelétricas, termoelétricas e o parque eólico mais vigoroso do País. Não precisando dizer que tudo isso significa riqueza, emprego e renda aos nordestinos.

Neste cenário não será difícil que essas bancadas - Minas Gerais tem a terceira maior do Congresso - se unam contra o projeto, senão para rejeitá-lo na íntegra, ao menos reduzir o efeito dele sobre todo o sistema.

 Pelo lado da equipe econômica a frustração é grande porque o plano é vender tudo e arrecadar o máximo possível para com este dinheiro reduzir o déficit previsto no orçamento de 2018.

Parte deste déficit será abatido por leilões que já aprovados foram desidratados na negociação política para brecar a segunda denúncia da PGR contra Michel Temer.