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Editorial

Privatização no setor de energia elétrica

09/02/2018 às 22:12
Show eletrobras

Acionistas da Eletrobras deliberaram, no dia 8, que a estatal irá privatizar distribuidoras dos Estados do Norte e do Nordeste que, juntas, valem R$ 10,2 bilhões e acumulam dívidas de R$ 11,2 bilhões mais encargos de R$ 8,5 bilhões, nas contas oficiais.  A decisão é parte das diretrizes do Governo Federal e implica em uma série de questões que deveriam ser tratadas pelo parlamento, Ministério Público, governos estaduais e municipais, pelo menos.

Foram autorizadas pelos acionistas, as privatizações das distribuidoras do Acre, Amazonas, Boa Vista, Rondônia, Piauí e Alagoas.  A decisão é preocupante porque interfere diretamente nos interesses dos usuários do serviço de energia elétrica que deverão ser impactados com valores mais altos nas faturas. Assim tem sido em todos os serviços privatizados – consumidor paga preço mais alto, o serviço é precário e os atendimentos ao público mediados por sistema eletrônico. 

No Amazonas ou mesmo em Manaus, os valores pagos pela energia utilizada pela população são elevados e aparecem na mídia como uma das reclamações mais frequentes da população. O preço alto não corresponde à qualidade do serviço prestado, ao contrário, a falta de energia elétrica atinge inúmeras comunidades por repetidas vezes. Outro aspecto é o fato de a distribuidora do Amazonas aparecer como deficitária mesmo com os valores cobrados.

Há algo estranho que sugere problemas de administração dessas companhias. A privatização pode ser um bom negócio para o governo que se desfaz de um problema repassando à iniciativa particular, mas se constituirá em um golpe contra a população, esta acionista permanente que diariamente convive com os altos e baixos do sistema de distribuição e fornecimento de energia. A Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) tentou suspender na Justiça a assembleia que trataria da privatização alertando que a privatização ou a liquidação das seis distribuidoras “será desastrosa para as populações do Norte e do Nordeste”.

Os gestores poderiam, antes de buscar a solução mais fácil e indicada pelo Governo Federal, deveriam identificar quais as razões reais da condição deficitária dessas companhias. O povo paga as suas contas, os outros segmentos estão pagando? Quais os impactos de privatização ou liquidação (para abrir caminho à privatização) de distribuidoras de energia elétrica em regiões como o Norte e Nordeste? Quem responde?