Domingo, 05 de Dezembro de 2021
Editorial

Programas sociais como arma eleitoral


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20/10/2021 às 06:50

A distribuição direta de renda por meio de programas sociais já teve seu potencial na atração de votos comprovada pelo Bolsa Família na gestão petista, e mostrou ser uma relevante arma de sobrevivência política com o advento do auxílio emergencial no governo Bolsonaro. Não é à toa que iniciativas desse tipo foram adotadas em diversos estados. Com a proximidade das eleições, o governo vê como fundamental o uso dessa ferramenta para lustrar a imagem e buscar a simpatia da classe mais vulnerável da população. Por isso mesmo, o programa Bolsa Família será renomeado para “Auxílio Brasil”, pois o que importa não é sua função social, mas seus efeitos sobre os eleitores.

E os problemas já começam por aí. Estratégias de distribuição de renda precisam ser políticas de governo com foco principal na redução das desigualdades sociais, sobretudo em um país como o Brasil, que tem uma das maiores concentrações de renda do mundo. Não pode se tratar de apenas entregar dinheiro às pessoas, mas de oferecer estímulos à educação, acesso à saúde e incentivo ao empreendedorismo. 

Quando iniciativas como o Bolsa Família e o auxílio emergencial são usadas principalmente como arregimentadores de votos que devem ser “turbinados” a qualquer custo, o País tende a dar alguns passos para atrás. É preciso desconcentrar renda, mas sem meter os pés pelas mãos. Não se pode ampliar o valor de auxílios ao arrepio da responsabilidade fiscal, pondo em risco a saúde financeira e a credibilidade do País. Quando se cria despesas bilionárias sem que se estabeleça a fonte de receita, sobretudo em um cenário de retração econômica, cresce o risco de descontrole orçamentário e poderemos ver mais áreas de grande relevância perdendo verbas, como já está acontecendo. No último dia 15, o presidente da República sancionou a lei que retira R$ 690 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia; o valor representa 90% do orçamento do ministério. 

O governo pode e deve ampliar o valor dos benefícios, mas não deve fazer isso rompendo o teto de gastos, sob pena de passar uma péssima mensagem ao mercado e enfrentar sérios efeitos colaterais como fuga de investimentos, alta do dólar e, consequentemente, da inflação, que vai corroer ainda mais a renda do trabalhador.


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