Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Editorial

Propostas preocupantes


cnh_C7DC7F3A-13A8-4537-9454-2C06F1E915D9.jpg
05/06/2019 às 08:22

A flexibilização das leis de trânsito, tornando a legislação menos rigorosa com os condutores, é algo que precisa ser muito bem discutido pela Câmara e pelo Senado. A proposta encaminhada ontem pelo governo federal à Câmara dos Deputados é um prêmio aos maus condutores, que poderão cometer mais barbeiragens nas ruas se a pontuação para perda da CNH for dobrada, como propõe o governo.

Diversos pontos da proposta são, no mínimo, polêmicos, como o fim da multa para condutores que transportarem crianças fora de cadeirinhas de retenção. As cadeirinhas são comprovadamente um fator de segurança para as crianças em automóveis; o fim da multa apenas promove a insegurança. A proposta encaminhada pelo governo substitui a punição pecuniária por uma advertência escrita, que certamente terá efeito nulo no incentivo ao uso do equipamento.

Outro ponto questionável é o fim do exame toxicológico para a emissão e renovação da CNH para as categorias C, D e E, que incluem veículos pesados de transporte de passageiros como ônibus. Dizer que é preciso confiar na boa-fé dos condutores é um argumento descabido quando o que está em jogo é a segurança das pessoas.

Ao propor um projeto tão permissivo, o governo talvez tenha a intenção de criar uma agenda positiva, que agrade condutores de Norte a Sul do País, promovendo um alento na popularidade em queda livre. Mas o resultado pode ser diverso do esperado, criando mais motivos para atrito com o Legislativo. Deputados e senadores, se prezarem pelo bom senso, vão picotar o projeto governamental, retirando os pontos sem noção. Pelo menos é o que se espera. Do jeito que está, a proposta tem potencial para piorar um trânsito que já é o 4º mais violento do mundo.

No Brasil, mais de 60% dos leitos hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) são ocupados por vítimas envolvidas em acidentes de trânsito, segundo dados do Observatório Nacional de Segurança Viária. Só no ano passado, mais de 320 mil indenizações foram pagas pelo Seguro DPVAT em todo o País. Em 70% dos casos, as vítimas sofreram algum tipo de invalidez permanente. Infelizmente, não vivemos em um País onde se possa flexibilizar a legislação de trânsito. O que precisamos é que as pessoas cumpram a lei e dirijam com responsabilidade.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.