Quarta-feira, 03 de Junho de 2020
Editorial

Proteção ao interior


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31/03/2020 às 08:09

Isolamento social é o termo do momento. Estudos conclusivos a respeito dos fatores que favorecem ou retardam o contágio do novo coronavírus só estarão disponíveis quando a pandemia estiver superada. Mas o que já se sabe, por ora, é que evitar o contato físico com outras pessoas tem surtido efeitos positivos em todos os países onde tem sido adotado. No caso da Amazônia, muitos municípios vivem outro tipo de isolamento, o geográfico, com acesso precário por aeródromos, e onde os pequenos portos são a principal – e em muitos casos, única  - via de entrada e saída. Esse isolamento, que frequentemente é motivo de reclamação, uma vez que dificulta o acesso a serviços de melhor qualidade e proporciona um vazio institucional com sérios impactos na vida das pessoas, é também, neste momento, uma das principais barreiras ao avanço do novo coronavírus no interior do Amazonas.

Apesar da capital concentrar o maior número de casos da nova doença e ter o único óbito registrado na região Norte em decorrência da epidemia, a    maioria dos municípios amazonenses continua sem registro de Covid-19, mesmo após mais de um mês do início do surto no País. Isso se deve às medidas de isolamento da capital, epicentro do surto na região, com proibição do tráfego de passageiros tanto por estradas como por embarcações. O combate ao coronavírus no Amazonas passa por impedir que a doença se espalhe pelo interior, o que seria trágico, considerando as condições da estrutura de saúde da maioria dos municípios. 

Foi muito acertada a decisão do desembargador federal Jirair Aram Meguerian, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que atendeu o pedido de reconsideração feito pela Defensoria Pública do Estado (DPE/AM), e determinou, ontem, a paralisação do fluxo de passageiros em transporte fluvial no Amazonas. Mais cedo, a Justiça havia derrubado a proibição imposta por decreto do governador Wilson Lima.

Por ora, a maioria dos municípios está relativamente protegida, e é assim que devem ficar até que a pandemia seja superada. Os municípios mais ligados a Manaus, e que já apresentam casos confirmados, como Parintins, Itacoatiara e Manacapuru, estão tomando medidas restritivas de circulação, em alinhamento com as orientações do Ministério da Saúde. Por enquanto, o Amazonas está vencendo esse desafio.


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