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Editorial

Protestos, política e eleições

31/07/2016 às 21:47 - Atualizado em 31/07/2016 às 21:49
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Até que ponto os protestos deste domingo (31) importam aos políticos brasileiros? Quais as medidas reais para tornar mais transparente e ética a política no País? As leituras não são animadoras. No geral servem para atender a grupos isolados que contabilizam, ao seu modo, os números desta ou daquela manifestação e das pesquisas.

Efetivamente, o governo interino de Michel Temer faz deslocamentos que tendem a aprofundar a desigualdade brasileira e, n contexto atual, a alimentar a ação combinada de uma parcela conservadora da sociedade. Dito de outra forma, o quadro desenhado de ampliação da violência. No Congresso Nacional, a tomada de decisão por medidas saneadoras não acontece, ao contrário respalda retrocessos em cadeia que atingem duramente povos e segmentos mais fragilizados, como os indígenas, os negros, as mulheres e a juventude. Há um desmonte da estrutura que foi crucial para retirar o Brasil de uma condição de miséria e de exclusão em larga escala.

Falta seriedade e responsabilidade político-administrativa e técnica para traçar ações que consigam corrigir caminhos. A opção até agora demonstrada é a do desmantelamento como ocorre, por exemplo, com o Sistema de Ciência e Tecnologia, o Sistema Único de Saúde (SUS).

A corrupção colocada como grande questão a ser combatida permanece em ação por meio de líderes político-partidários que gritam e discursam contra a corrupção enquanto atuam na operação de negócios escusos com longos braços, há longas datas.

Os protestos, em suas frentes, têm um elemento comum – o do combate à corrupção. O que diverge é a compreensão ou a ideologia daqueles que postulam o impedimento completo e definitivo da presidente afastada Dilma Rousseff como remédio para curar a ferida. A causa da doença não está sendo atacada e o Congresso Nacional mostra, sem escrúpulo, exatamente isso. Um jogo pesado e de alto custo em torno do poder.

Faltam dois meses para as eleições municipais. O material colocado à disposição da opinião pública é farto na repetição de práticas que ignoram a conduta de respeito aos compromissos com os cidadãos dos municípios. Apresentam, à exceção minguada, o mesmo discurso das impossibilidades, do triunfalismo, em meio a alianças que se bem averiguadas não se sustentam no patamar da legalidade. É árdua a batalha dos eleitores.