Publicidade
Editorial

Prova de fogo para a Justiça

23/01/2018 às 21:59
Show lula xxxxx

O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ocorrerá nesta quarta-feira em Porto Alegre (RS), terá um peso simbólico para a Justiça brasileira. Isso por que a expectativa da população como um todo e o barulho das turbas nas ruas são fatores que precisam ser solenemente ignorados pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Sobre três desembargadores recai a responsabilidade de apresentar posicionamentos absolutamente bem fundamentados, seja pela manutenção da condenação, seja pela absolvição do ex-presidente.

A crise institucional que se instalou no País desde antes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff teve reflexos também no Judiciário, onde, em alguns momentos, ficou clara a interferência da esfera política.

No julgamento de hoje, mais do que nunca, não pode pairar sobre o veredicto a mínima possibilidade dessa influência. Qualquer que seja o resultado, é inevitável a grita nacional de um lado e de outro. Eventuais suspeitas a respeito da isenção dos julgadores apenas alimentariam os discursos dos grupos inflamados. Alheia aos embates, a Justiça precisa sair fortalecida.

Independentemente do veredicto, uma coisa é certa: a divisão do País entre extremos de direita e de esquerda - acentuada durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, mas que andava arrefecida nos últimos tempos - ganhará novo fôlego nos próximos meses. Até porque, mesmo se for condenado, Lula poderá prosseguir como pré-candidato à Presidência da República, o que vai incendiar os ânimos nas ruas. A candidatura só será efetivamente impedida se o registro for negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da ficha Limpa.

Portanto, dias “quentes” estão a caminho. Vamos esperar que o embate de grupos fique apenas no campo ideológico, que a Justiça cumpra seu papel sem ceder a pressões de qualquer tipo, que as eleições sejam encaminhadas com tranquilidade e que o País finalmente supere a instabilidade política e institucional que apenas retarda a recuperação econômica já em andamento. O julgamento histórico que veremos hoje e seus reflexos nos meses que virão devem fazer parte dos últimos capítulos desse período de instabilidade que já dura cinco anos.