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Editorial

PT e PSDB são parte da velharia política, diz ex-presidente Fernando Henrique

07/09/2016 às 21:51 - Atualizado em 07/09/2016 às 21:52
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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, ontem, que tanto o PT quanto o PSDB são parte da velharia política nacional, que cumpriram uma missão no processo de redemocratização no passado, mas não souberam conduzir o País para um outro patamar de civilização.

O ex-presidente sabe muito bem o que diz porque conviveu com os mesmos problemas que levaram o PT ao abismo do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ambos fizeram concessões a velhacaria política que nos governa desde os primórdios da Nação. Fernando Henrique se aliou ao então PFL, cujo símbolo máximo a época era o senador baiano Antônio Carlos Magalhães, um político egresso dos porões da ditadura. O PT se aliou ao PMDB de Sarney, Calheiros e tantos outros mais de partidos que não apresentam qualquer modelo de Pais, mas sim modelos de como se aproveitar do País.

O resultado deste processo de alianças, considerado inevitável pelo ex-presidente, e que os dois partidos que mais encarnaram a necessidade de mudanças em prol do povo, acabaram enredados juntos na corrupção desvendada pela Operação Lava Jato, que igualmente atinge petistas e notáveis líderes tucanos, como o presidente do partido, senador Aecio Neves, e o chanceler José Serra.

Ainda na avaliação do ex-presidente, essa situação política na qual se meteram PT e PSDB, pode, perigosamente, abrir espaços nas eleições de 2018 para um aventureiro da política, uma figura danosa como o candidato republicano a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, que carrega um dos discursos mais raivosos e contrário aos processos civilizatórios já visto no País do Tio Sam. O Trump brasileiro, se o ex-presidente não percebeu, e aquele personagem que discrimina os cidadãos por questões de gênero, promete reduzir direitos da mulheres, armar a população como forma de combater a violência e vê nos adversários um inimigo. Esse perfil do atraso não nos lembra alguém?

Pois sim, essa avaliação de Fernando Henrique Cardoso só reforça a velha necessidade brasileira de fazer uma reforma política, uma que dê sentido a representação democrática que se faz necessária num país do tamanho do Brasil. É preciso, por exemplo, rediscussão o voto obrigatório, o financiamento público e conter a proliferação de partidos que não significam absolutamente nada, como e o caso do Partido da Mulher, cujos dirigentes são todos homens, e o Partido Militar, personagens da vida pública que constitucionalmente não podem fazer política.

O Brasil só vai sair desta armadilha institucional se todos os envolvidos no processo, principalmente PT e PSDB, entenderem que a distância entre eles não é a distância entre inimigos, mas sim entre adversários que devem querer o melhor para o País, só que por caminhos diferentes.

Foto: Renato Araujo/ABr