Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
Editorial

Quadro de profunda anomalia


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30/09/2019 às 08:42

As declarações do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, as prisões de núcleo familiar e amigos ‘quase parentes’ instalados no poder do município de Coari e as declarações correlatas a atos do presidente da República do Brasil e de seus filhos detentores de mandatos públicos não são fatos isolados. Ao contrário, demonstram em fotografia três por quatro, o quadro que compõe a forma de administração do País.

Todos, em nível de Governo Federal, STF, Congresso Nacional, Parlamento Estadual, Municipal e Executivo Municipal, exercem funções públicas, cargos importantes para, em última instância de acordo com o que preconiza a Constituição Federal, zelarem pelo bem público, pelo bem-estar do conjunto da população brasileira. O que é notório, ainda que resumidamente, é o nível do descontrole da administração pública e, por correlação, fica a pergunta qual é o nível de controle emocional dos que estão em postos administrativos e do legislativo.

Não se trata de um filme de ficção, é realidade contada em versões que só aparentemente estão separadas.  Enquanto determinados núcleos de corrupção ativa são perturbados com prisões ou detenções, outros permanecem agindo na mesma cartilha e, aparentemente, não são incomodados. A organização de narcotraficantes avança, toda conta dos municípios do interior do País, transforma jovens e adolescentes em parceiros estratégicos e oferece a essa população um projeto de futuro. Jovens e adolescentes matam e são mortos, em número cada vez maior, no Brasil enquanto os representantes dos três poderes ocupam parte de seus tempos em questões de ordem pessoal e de tentativa de privatizar ainda mais o espaço público.

Parece não haver para a sociedade brasileira outra saída a não ser a de aderir a esse sistema onde corrupção e distúrbios mentais se encontram para ‘normalizar’ protocolos ou dizer que não aceita e continuará sua luta, difícil, lenta, porém contínua, em direção a superação de tal situação. Declarações e atos produzidos pelos representantes e membros dos poderes que agridem a Constituição continuam sendo feitos como se o Brasil não tivesse mais uma Constituição. Esses servidores públicos precisam ser acionados, dentro do espaço legal, pela Justiça, devem prestar contas de seus atos, a fim de se ajustarem ao que dispõe a Constituição ou sofrerem as sanções penais previstas para quem comete esse tipo de crime. A sociedade organizada e cidadã é a força motriz para enfrentar a anomalia que ameaça a todos.


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