Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
Editorial

Quadro de violência em Manaus


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08/01/2020 às 08:37

Mais de 30 mortes violentas em Manaus apontam para uma contradição entre os indicadores de controle da violência e a realidade. O que sobressai é a sensação de descontrole e de insegurança no Estado do Amazonas e, notadamente, na capital. A maneira como as pessoas estão sendo mortas aponta, em várias ocorrências entre dezembro e os primeiros dias de janeiro, para queima de arquivo.

A quantidade de mortes em tempo tão reduzido já corresponde a de números iguais a de tragédias ou de ações de extermínio. O que parece estranho é a lentidão das autoridades em se pronunciar sobre o assunto e informar à sociedade a respeito das ações que deveriam ter sido tomadas.

Vítimas de uma crise político-econômica onde o desemprego se tornou real, a fome e a falta de perspectiva passaram a ser presença diária, as mortes aparecem como mais um sintoma da condição de ingovernabilidade a que a população mais pobre é submetida. O setor de segurança pública tem o dever de agir e de se manifestar adequadamente para que as pessoas possam ser confortadas e aqueles que sofrem com as perdas de seus entes queridos possam ter essa dor respondida em ações efetivas.

A continuar nesse ritmo, é possível que a pressão, movida pelo desespero, o medo e a angustia, exploda em outras manifestações cujo efeito não pode ser medido agora, mas tem como ser evitado. Desde dezembro, todos os dias, pessoas estão sendo assassinadas enquanto os autores atuam como se tivessem um passe-livre para agir. 

Na Zona Norte de Manaus, é necessário que sejam apresentadas respostas sobre o cenário de guerra em que bairros daquela área estão submetidos. É ali que foram registrados nesse período o maior número de mortes.  Uma das zonas mais populosas, a região precisa ser olhada com atenção integral para mapear os pontos de ataque, a vulnerabilidade existente e de que forma é tecnicamente possível reduzir o quadro de matança e ampliar o sistema de segurança. 

Em outras regiões, trabalho semelhante é exigido para superar a ideia de que a população está  abandonada e, nesse cenário,  tende a agir por conta própria, o que não resolve estruturalmente o quadro  de violência em Manaus.


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