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Editorial

Qual Brasil se quer?

17/04/2016 às 21:30
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O Brasil desta segunda-feira está diferente. A pergunta é: qual a diferença? Não será uma resposta fácil e não se encontra nas posições que exprimem a divisão rasa das pessoas entre o bem e o mal. O País vive um processo mais transparente dos antagonismos e dos conflitos provocados entre duas visões de administração da nação, submete as instituições a um forte teste com os representantes delas se expressando, posicionando-as.

O movimento que se ancora na possibilidade de afastamento da presidenta Dilma Rousseff carrega uma frente de anseios e de desejos que após o longo período de regime de exceção  se expressa na atualidade. É importante conhecer esses desejos, os seus líderes e patrocinadores. É direito desse movimento fazê-lo e apresentá-lo como a aspiração  que têm de País. A resistência construída contra o impedimento reúne partidários do governo Dilma e não partidários inclusive segmentos críticos à forma de governar da presidenta, mas têm um dado comum em suas falas: a defesa da democracia.

Está ai um dos elementos de diferença: qual é democracia se quer ver enraizada no Brasil? A questão posta é como fazê-la avançar e se depurar até que a maioria absoluta dos brasileiros dela tenha consciência e a carregue e a defenda como um bem não negociável. O confronto ora instaurado por forças antagônicas faz sofrer e gera instabilidade mas está colocado, ocorrendo e promovendo ranhuras que poderão inaugurar rupturas importantes clareando sobre as forças que atuam e como atuam no cotidiano brasileiro. Reivindicações feitas por amplos setores da sociedade há alguns anos como a realização das reformas política e fiscal não foram  ouvidas e não passam em um Congresso Nacional com o perfil do atual.

Sem as reformas profundas, o movimento para impedir o Governo Dilma desloca as questões centrais para outro eixo e deixa a indicação no mínimo simplória que sem Dilma os problemas brasileiros estarão resolvidos. Ai já se revela um arranjo perigoso e danoso desde o seu nascimento visto que a linha sucessória desenhada, com o vice-presidente Michel Temer e o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, ambos do PMDB, no comando do País é a saída pelo retrocesso. As fichas dos dois não se coadunam com o que o próprio movimento que eles lideram sustenta. Ou seja, Temer e Cunha são a indicação de um rumo instável e incerto ao País.

As decisões a partir de agora não podem procastinar, não podem ser arremedos ou acordos para não superar as questões graves. A diferença está aí. E os brasileiros precisam permanecer atentos porque é o futuro do País que está sendo decidido e não pode ser uma decisão de uns poucos.