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Editorial

Quantos massacres ainda serão necessários?

14/03/2019 às 07:59
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O massacre na escola de Suzano, em São Paulo, revela uma feição do Brasil que tende a se tornar recorrente, se medidas estratégicas não forem tomadas. Até agora, o que mais proliferou foram atos de apoio ao armamento pessoal, facilitação do acesso a arma de fogo e comportamentos violentos com vigência nos três poderes numa espécie de torcida organizada virtualmente para a consumação de confrontos.

No legislativo, parlamentares têm feito das manifestações de violência um jeito de se apresentarem publicamente. Há um discurso por parte de autoridades públicas de apoio às condutas violentas e, essa manifestação alia-se ao cenário de violência que o País vive (assaltos, crimes sexuais, usurpação de direitos, avanços de milícias e de organizações narcotraficantes, desemprego, fome) criando a sensação de que armar as pessoas é a saída para enfrentar a violência.

Há um ano, um milhão de estudantes norte-americanos foram as ruas para clamar por mudanças na legislação de armamento do país e para trocar armas por livros. O movimento “Nunca Manais” nasceu após a série de massacres em escolas dos EUA, líder nesse tipo de acontecimento trágico. Até agora, alguns treinamentos foram feitos para tentar ampliar a prevenção a esse tipo de ataque envolvendo principalmente policiais militares, estudantes, professores e servidores de escolas. A legislação do armamento não foi alterada, permanece fiel ao lobby da indústria de fabricação de armas, uma das mais poderosas no mundo.

No Brasil, as notícias sobre os ataques às comunidades estudantis costumavam ser vistas e sentidas pela distância. “É problemas deles, lá”, costumavam dizer alguns observadores ao se manifestarem sobre esses episódios. Hoje são oito registros de massacres em escolas e cada vez mais estas se tornam notícias daqui. Desde o ataque à escola de Realengo, no Rio de Janeiro, em 2011, com 12 mortos e 17 feridos, os casos aumentam e surpreendem porque podem ocorrer em qualquer escola, em qualquer lugar.

O que não se constata é a iniciativa governamental, em parceria com os demais poderes, para tratar da questão com a responsabilidade e a urgência que ela exige. Vive-se o pânico, o desespero, o luto das mortes, o sofrimento das perdas inesperadas e, em seguida, o drama de centenas de famílias é submetido ao esquecimento por parte das autoridades que têm o dever constitucional de garantir segurança e o direito à vida.