Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
Editorial

Quase um milhão sem luz


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27/11/2019 às 07:27

É grave que quase um milhão de pessoas na Amazônia vivam sem acesso a energia elétrica, uma situação que limita e coloca uma grande parcela de brasileiros à margem da sociedade. 

Os dados são do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) cujo estudo aponta que, desse total, quase 160 mil pessoas estão no Estado do Amazonas, sobretudo na zona rural dos municípios mais distantes da capital, no interior do interior. A ausência de eletricidade reduz as possibilidades de comunicação, de qualidade de vida por meio da conservação de alimentos e de segurança devido a baixa iluminação noturna, entre outros aspectos. 

A justificativa mais comum quando se fala do “apagão” amazônico é a imensidão geográfica e o elevado custo para levar eletrificação a comunidades longínquas e com baixa densidade demográfica. 

Para os inúmeros locais com esse perfil na Amazônia, a solução energética, por óbvio, não pode ser a convencional. Mas existem alternativas viáveis, algumas em plena atividade e com bastante sucesso. A mais simples é a utilização de painéis solares com tecnologia adaptada à região, capazes de produzir energia suficiente para atender pequenas comunidades, onde a instalação de linhas a partir de centros urbanos é inviável. Outra alternativa é a que utiliza pequenos cursos d’água para movimentar geradores.

Enfim, o principal obstáculo para tirar milhares de famílias do escuro parece ser a falta de vontade e disposição política para tal. O Programa Luz para Todos parte do princípio de que cada comunidade tem uma solução adequada às suas características. O problema é que a iniciativa federal, criada em 2003 como o objetivo de promover a universalização do acesso à energia elétrica, caminha a passos lentos e sofre com corte de recursos. Mesmo assim, em 16 anos, já levou energia a 3,5 milhões de famílias em todo o País, com R$ 20 bilhões aplicados. É um programa que precisa ser visto como prioritário. 

Não se trata de proporcionar um benefício supérfluo, uma benesse a essas famílias. É uma questão de inclusão social, de promoção da cidadania, da ampliação dos horizontes de pessoas que hoje se vêem cerceadas de algo que já faz parte do cotidiano do mundo desde o início do século passado, mas que ainda é apenas um sonho para tantos.


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