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Editorial

Que a justiça prevaleça

21/01/2018 às 20:59
Show lula

Desde 2013, quando as manifestações tomaram conta das ruas do País em protestos contra a corrupção, iniciou-se um processo de divisão da nação entre extremos. Extremos à direita e à esquerda. De um lado, defensores do petismo derrotado com o impeachment de Dilma Rousseff, ou opositores de extremismos neofacistas. De outro, a parcela da população que, na ânsia por mudanças e renovação política, deposita esperanças no extremismo de direita.
Esse panorama vem se fortalecendo nos últimos quatro anos, acentuando-se com a proximidade das eleições. O julgamento do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, marcado para a próxima quarta-feira, está repleto de simbolismo. Do resultado do julgamento depende o futuro do País, que será decidido nas próximas eleições.

Nesta semana, o País – e a esfera política, em especial – dá uma pausa para acompanhar o julgamento que definirá o futuro das eleições presidenciais. Partidos e pré-candidatos aguardam o resultado do julgamento daquele que lidera as pesquisas de intenções de voto. Em Manaus, não será diferente: simpatizantes de Lula e do petismo, juntamente com os que rejeitam as opções de direita, preparam mobilizações em apoio ao ex-presidente. Por outro lado, os que associam a esquerda à derrocada moral da política do País vão engrossar o coro dos que defendem a condenação de Lula.

Entre as duas correntes está a Justiça, que tem a missão de atuar segundo a lei, sem ceder a pressões de qualquer lado. Este é o grande desafio. O Tribunal Regional Federal da 4ª região tem enfrentado pressões ferrenhas da esquerda e da direita. Os julgadores passam pela maior pressão que já enfrentaram na vida. E aí reside um grande perigo, o de politizar o julgamento, levando em consideração elementos alheios aos autos do processo. O resultado do julgamento, qualquer que seja, precisa ser técnico e com base em argumentos incontestáveis. Se Lula, que é o principal símbolo da esquerda, for condenado ou absolvido, não pode restar a mínima dúvida de que o resultado é justo e bem aplicado.

Como o Judiciário há tempos dá demonstrações de que a lei nem sempre é o mais importante nas decisões, a conclusão do julgamento de Lula guarda um resultado imprevisível. Os partidos de esquerda já estão se articulando para desenvolver estratégias de acordo com a palavra final dos magistrados. Há até argumentos que defendem a possibilidade de candidatura, mesmo com a condenação em segunda instância. As demais lideranças, inclusive as ligadas ao governo federal, pensam no fortalecimento de seus próprios candidatos. Para o Brasil, o mais importante é que a Justiça prevaleça.