Sexta-feira, 03 de Dezembro de 2021
Editorial

Que a Manaus real seja percebida e tratada


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23/10/2021 às 08:37

São tantas Manaus em uma Manaus imaginada. Aquela que é feita pelos efeitos da computação e parece quase perfeita, a que é peça publicitária governamentais na qual os serviços funcionam e as pessoas sorriem com todos os dentes; a cidade movida pela solidariedade persistente e o respeito aos diferentes; a que é movida pela intransigência, a desigualdade brutal e a violência cotidiana.

Há uma Manaus dos mais pobres e de parcela da população feita de famílias vivendo em situação de miséria. Nela, os serviços públicos não alcançam todos, o saneamento básico é sonho proibido de sonhar, ruas esburacadas, escuras, faltam praças conservadas, creches para as crianças, áreas destinadas ao descanso de trabalhadores e aos idosos; faltam árvores e jardins para amenizar o avanço do concreto; faltam postos de saúde funcionado regularmente e com eficiência; faltam escolas que sejam espaço de vivências do aprendizado com respeito ao lúdico; faltam lugares que promovam os diálogos entre os diferentes.

Manaus está distante de ser referência da atenção aos povos indígenas que nela vivem e chegam como visitantes. As administrações, sucessivamente, negam à cidade a identidade indígena que complementaria a sua composição pluriétnica e a tornaria, como ocorre em cidades que levaram esse item a sério, lugar-espaço de fortes intercâmbios culturais naturalizados. São muitas décadas que o movimento e as organizações indígenas reivindicam o direito de ser parte da cidade que antes de ser cidade era a terra dos povos originários. Igualmente com o povo negro e quilombola.

A brutalidade com que Manaus é tratada se expressa na ocupação desordenada e ordenada por grupos políticos-religiosos, na arquitetura de prédios que ignora as feições da cidade parte da floresta, dos rios, dos igarapés.

Uma ideia de modernidade ganhou espaço na expansão da cidade e essa tem sido prevalente nesses 352 anos. As lutas pela construção de uma Manaus conectada com sua raiz de florestania, o que a traduziria em experiência humanizadora contínua têm sido asfixiadas embora persistam e possam ser percebidas nas mobilizações dos diferentes coletivos sociais e de membros de instituições do ensino e da pesquisa.

Nesse aniversário, são renovados os pedidos e os sonhos de que entre todos os acordos, prevaleça aquele que dê a Manaus a dignidade real reivindicada pelas vozes da resiliência em mais de três séculos e meio.     

 


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