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Editorial

Quem é o cachorro grande?

23/04/2017 às 21:06 - Atualizado em 23/04/2017 às 21:07
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O mundo vive hoje, sem que todos estejamos devidamente atentos e alertas, a mais grave ameaça de guerra nuclear em mais de 50 anos. Sim, desde que a crise dos mísseis cubanos foi encerrada em 1962 com um recuo tático da então União Soviética, o mundo não vivenciava uma tensão tão grande entre países que detém armamentos nucleares como hoje temos os Estados  Unidos e a Coréia do Norte.

A retórica belísta entre os dois países está no último nível da diplomacia. Enquanto o vice- presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, perambula pela Ásia garantindo que a "paciência estratégica (com os norte-coreanos) terminou", o governo de Pyongyang responde no mesmo tom ao afirmar que “se os Estados Unidos planejam uma ofensiva militar, o país vai reagir com um Ataque nuclear preventivo”.

Observe que nas palavras oficiais os norte coreanos já falam em guerra nuclear, não apenas uma guerra com armamentos convencionais. O tom ficou ainda pior depois que os EUA deslocaram para o mar do Japão o porta-aviões Carl  Vinson, um gigante nuclear que navega com um grupo tático de apoio superior a muitas Marinhas do mundo.

Em meio à tensão crescente entre as falas oficiais dos presidentes Donald Trump, dos EUA, e Kim Jong-Un, o que salta aos olhos é a absoluta falta de necessidade desta briga.

Os norte americanos reclamam da escalada bélica da dinastia Kim, mas até hoje se mostram frustrados todos os testes realizados pelo país, inclusive o da semana passada.

A Coréia do Norte pode até dominar algum tipo de tecnologia nuclear, mas nada que chegue a ameaçar Washington, pelo menos é o que os especialistas avaliam.

Lá, portanto, há uma guerra silenciosa que esconde um outro inimigo, alguém com poder de fogo real para ameaçar a maior potência do mundo e não uma exposição de ego megalomano de uma família de ditadores.

Por trás deste conflito estão atores com nome e sobrenomes perigosos, agentes que vão intervir ao menor sinal de que Washington está  ultrapassando o sinal amarelo. No caso, parece claro, o nome por trás de Kim Jing-Un é China. E o sobrenome Rússia.

Tanto Pequim quanto Moscou estão de antenas ligadíssimas nos movimentos norte-americanos na Ásia e, particularmente, não vão deixar os mesmos entrarem na área de influência gratuitamente. Enfim, enquanto a briga de Trump for com o menino Kim, parece que está tudo bem. O problema é o day after.