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Editorial

Quem ganha é o consumidor

15/04/2017 às 15:58 - Atualizado em 15/04/2017 às 15:59
Show ubermao

Nas últimas décadas, a modernidade tem dado passos cada vez mais largos e rápidos. Em poucos anos, assistimos o fim das locadoras de vídeos - antes tão populares -, do filme fotográfico e das antigas fitas K7, só para ficar em poucos exemplos. Não é possível parar o avanço tecnológico e suas consequências, trata-se de um movimento que independe da vontade de classes específicas, embora sempre haja resistências. As locadoras fecharam, os proprietários migraram para outros ramos, os funcionários encontraram outros empregos e vida continua.

Quando a nota fiscal eletrônica foi implantada, donos de gráficas reclamaram do grande prejuízo que teriam ao deixar de imprimir os antigos talonários de notas. Houve até quem recorresse à Justiça.

Desde a última quarta-feira, Manaus passou a fazer parte de mais uma revolução, com o início da operações do Uber na cidade - oferecendo um sistema de transporte que aproxima, por meio de aplicativo, passageiros e motoristas a um custo muito mais em conta.

Os taxistas são os reclamantes da vez, temendo a competição com os motoristas que utilizam o Uber. É preciso ter em mente que se trata, também, de uma questão de mercado. Se há um serviço de boa qualidade por um preço menor, é claro que ele terá a preferência dos consumidores. Seria mais produtivo para os taxistas, lutar pela redução nas taxas que pagam a fim de tornar sua atividade mais competitiva. Não é correto afirmar que os motoristas do Uber não pagam impostos. Eles são formalizados enquanto microempreendedores individuais (MEI) e estão sujeitos à tributação correspondente a essa modalidade. De nada adianta o ação da Superintendência Municipal de Transporte Urbano (SMTU) que tem perseguido motoristas do Uber.

Não será possível impedir a atuação de todos os motoristas. De nada adiantarão eventuais leis municipais para barrar o Uber. Isso já foi tentado sem sucesso em outras cidades. A chegada da novidade não significa que os taxistas estejam condenados ao desaparecimento. Eles podem, e devem, buscar formas de se modernizar, cativar clientes, e principalmente, baratear as tarifas. É perfeitamente possível a coexistência das duas modalidades de transporte, desde que haja respeito mútuo e o foco de todos esteja na melhoria dos serviços. Quem ganha é o consumidor.