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Editorial

Questão de saúde pública

15/09/2017 às 22:00
Show sem  gua

É desanimador perceber que certos problemas de Manaus e do Amazonas parecem ser insolúveis. Prefeitos e governadores entrem e saem (e voltam), mas a falta de abastecimento adequado de água  continua presente na realidade de muitos. Na capital, acordar de madrugada para carregar água nas poucas horas diárias de abastecimento faz parte da rotina dos moradores de diversas áreas, principalmente na periferia da cidade, como os bairros da Zona Leste. Nos últimos anos, houve investimentos, reservatórios foram construídos e a rede de distribuição foi ampliada, mas os problemas de abastecimento continuam.

No São José 3, o que ocorre é um racionamento sem aviso prévio aos moradores. E pior: o período com água nas torneiras tem ficado cada vez mais curto, aumentando o drama de milhares de famílias. O valor das contas, por outro lado, tem aumentado de forma inexplicável. Como é possível que as pessoas tenham menos água nas torneiras e ainda tenham que pagar mais caro pelo serviço deficiente?

 Inconformados, os moradores buscam a Manaus Ambiental e, ouvem a explicação de que frequentes quedas de energia afetam o reservatório de água que abastece o bairro, prejudicando o fornecimento. Falta explicar o que está sendo feito para evitar os danos aos consumidores, que pagam suas contas em dia e têm o direito de serem atendidos a contento. Nunca é demais lembrar que as contas de água em Manaus incluem a tarifa de  esgoto, um serviço praticamente inexistente na periferia.

O problema não se restringe à capital. Na verdade, é ainda pior no interior, onde os municípios são atendidos pela parte da Cosama que não foi privatizada. Auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) realizada no início deste ano constatou a situação caótica do abastecimento de água no interior, um caso sério de risco à saúde pública nos 17 municípios inspecionados.

Tanto na capital quanto no interior,  o problema exige medidas urgentes e é um dos desafios do novo governador, que chega com a proposta de “arrumar a casa”. Se na curta gestão conseguir arrumar a questão do abastecimento de água, já será um grande avanço.