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Editorial

Questão de sobrevivência

12/11/2016 às 20:06
Show fogo

Mesmo com o avanço da consciência ambiental, as pessoas em todo o mundo continuam vivendo como se os recursos naturais fossem infinitos, o que faz aumentar, a cada ano, o risco de um colapso. A situação lembra uma observação do personagem Agente Smith, do clássico filme Matrix, dos irmãos Wachowski, ficou famosa por resumir de forma interessante o comportamento humano. Smith compara os humanos ao vírus, uma forma de vida que se instala em determinado lugar, multiplica-se às custas dos recursos locais, exaurindo-os, e parte em busca de novos espaços em seguida.

A metáfora, infelizmente, parece muito verdadeira. Em nossa história, não faltam exemplos de como a ação humana causou sua própria tragédia. Um dos exemplos mais gritantes ocorreu na Ilha de Páscoa, no Sul do Oceano Pacífico, onde os habitantes da ilha  -  os Rapanui - destruíram sua própria civilização. Em dado momento, a população cresceu demais, todas as árvores terminaram derrubadas, tornando o solo estéril, e ilha, inabitável. Os Rapanui morreram ou partiram para serem assimilados por outra sociedade.

Não resta dúvida, a sobrevivência do homem sobre a Terra depende do equilíbrio com o meio ambiente. Há muito tempo, esse equilíbrio está abalado e a situação segue agravando-se continuamente.

Neste momento, lideranças de todo o mundo estão reunidas em Marrakesh, no Marrocos, participando da Conferência do Clima (COP 22), evento que discute opções para restabelecer o equilíbrio ambiental por meio de ações coordenadas pelas principais nações da Terra.  

A boa notícia é que, segundo pesquisas recentes, a taxa de CO2 na atmosfera, um dos gases de efeito estufa (GEE), estabilizou-se nos últimos anos por conta das florestas preservadas. A má notícia é que, segundo especialistas, isso não é o suficiente para evitar o aquecimento do planeta, principalmente levando-se em consideração que, de 2014 para 2015, o desmatamento na Amazônia Legal teve um aumento de 24%.

Se continuar como está, teremos o mesmo destino que os Rapanui no século XVIII, com a diferença que não haverá para onde fugir. A questão climática não pode continuar sendo vista como um problema político, mas como uma questão de sobrevivência.