Terça-feira, 24 de Novembro de 2020
Editorial

Racismo desafia a lei


1054745-20112016-dsc_7359-RV48dYE2xxYn54zqVar7ywN-1200x800_GP-Web_3162E9D5-8E2C-4EFD-BDD0-DC6EB76653A7.jpg
20/11/2020 às 01:18

O 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra – traz à cena Pública diferentes dimensões do racismo no Brasil e, ao mesmo tempo, aproxima vivências da memória que envolve a todos os brasileiros. Zumbi é a figura em torno da qual se organizam inúmeros coletivos e movimentos negros e que são os responsáveis pela criação desse feriado, um dos mais importantes quando se pensa nas datas consagradas pela historiografia nacional.

No Amazonas, as lutas do povo negro ainda estão ligadas ao direito de ampliar a ruptura do silenciamento. E na medida em que as vozes negras se expressam revelações e percepções valiosas são tornadas públicas, ganham corpo reivindicatórios e assumem protagonismos fundamentais na luta pelo fim do racismo. Uma luta que não pode ter trégua, pois, a etiqueta racista permanece firme e contamina como vírus. Pior, nesse momento brasileiro, o racismo é favorecido e até estimulado diante de atos racistas praticados por autoridades e minimizados pelos que devem combate-lo e punir os que desrespeitam a Constituição.

O Brasil possui uma das elevadas dívidas para com o povo negro. Reconhecê-la significa ter vontade política para tomar medidas de combate à cultura racista e assegurar que os autores de atos racistas sejam punidos. A produção de conteúdo que tratem da história da escravização no País ampliou e é possível disponibilizá-la, por exemplo, nas escolas do ensino fundamental a fim de que desde os primeiros momentos de aprendizagem as crianças tenham acesso a essa literatura e possam desenvolver outra percepção sobre o tema. 

O esforço de professores, pesquisadores e ativistas dos direitos da população negra se reflete no aumento de estudos, nas diferentes áreas do conhecimento, com foco no racismo institucional, na negação sistêmica de acesso de negros às universidades, os que ingressaram, na maioria, foram submetidos a filtros de passagem muito estreita; nas condições socioeconômicas da população negra e nas de saúde e cultura. É preciso considerar, entretanto, que falta muito, em todos os campos, para reduzir o déficit produzido por um longo período histórico, um dos mais extensos no mundo escravagista, em que o Brasil conviveu com a escravização e o comércio de pessoas negras. Os avanços conquistados não foram suficientes para reparar as atrocidades cometidas com os negros.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.