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Editorial

Reajuste do funcionalismo federal ameaçado

22/04/2018 às 19:02 - Atualizado em 22/04/2018 às 19:18
Show guardia

O governo federal pode esperar intensa pressão por parte do funcionalismo público federal por conta da intenção revelada pelo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, de congelar até 2020 os reajustes dos servidores federais. O ministro considera o congelamento de salários uma “alternativa” para os desafios fiscais da política econômica do ano que vem. A decisão de fato sobre o tema será conhecida em agosto, quando o governo enviar ao Congresso a Lei Orçamentária Anual (LOA). 

Se a ideia pegar, aproximadamente 370 mil servidores de 23 categorias, como professores, militares, auditores da Receita e peritos do INSS, que ficarão sem reajuste salarial neste ano. A medida, é claro, teria impacto direto nas eleições, pois seria uma enorme dificuldade para o candidato do governo à Presidência da República, provavelmente, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. 
Assim, o governo federal está entre a cruz e a espada. Se liberar os reajustes para evitar dificuldades  - além de todas as que já existem - nas eleições, terá que cortar despesas em outras áreas para evitar que o teto de gastos não estoure. Se manter a intenção de congelar os salários, reduzirá de forma significativa qualquer chance de sucesso nas eleições.  

Além disso, o adiamento dos reajustes teria que ser aprovado no Legislativo, algo que nenhum parlamentar vai querer em ano eleitoral. Basta lembrar que essa mesma tentativa foi feita em 2017, quando o Planalto quis fazer o adiamento por meio de Medida Provisória e não obteve o apoio necessário no Congresso. 

Eduardo Guardia falou sobre o possível congelamento no último sábado, em Nova York, e imediatamente lideranças sindicais começaram a planejar mobilizações em todo o País contra o governo. Entre os argumentos que certamente serão usados pelos sindicalistas é o fato de que as dificuldades do governo para manter o limite de gastos foram causados pelo próprio governo ao manter as torneiras abertas para estados e municípios na tentativa de melhorar a imagem diante da opinião pública. “Vamos trabalhar contra”, disse o presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques. Para ele, as medidas do governo tem sido unilaterais e sem diálogo com o funcionalismo. Ele assegura que a reação será severa.