Terça-feira, 19 de Janeiro de 2021
Editorial

Reajustes abusivos


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07/01/2021 às 07:01

Os aumentos nos preços da gasolina e dos planos de saúde são apresentados como necessários em função das perdas ocorridas no ano passado ou da não aplicação de índices de reajuste. São explicações que não funcionam e não cabem na atual conjuntura que o mundo e o país vivem.

Trabalhadores na maioria dos segmentos ficaram sem reajustes. Arranjos contatuais foram feitos para reduzir salários e o número de demissões. Na esfera do funcionalismo público, os salários estão congelados até dezembro deste ano, as promoções, as gratificações e a contagem de tempo de 2020 para efeito de inclusão de benefícios suspensas. A parte da população brasileira, os trabalhadores, estão na cota dos sacrifícios em nome de ações de socorro aos mais vulneráveis e de não criar buraco maior nas contas públicas. Era preciso tomar medidas amargas para evitar desastres maiores, assim disseram os economistas do governo federal.


Diante da grave situação brasileira, com mais de 14 milhões de desempregados, inúmeras empresas de micro e pequeno porte fechadas e a pandemia em progressão, por que reajustar os preços dos planos de saúde e o preço da gasolina? Como os órgãos de controle e de fiscalização para assegurar a defesa do consumidor permitem que atos como esse sigam em frente? A justificativa apresentada não se aplica no cenário nacional ou também se aplicaria para os demais segmentos e setores.
Até agora tem prevalecido um tipo de pacto que deixa as decisões, como estas, correrem para ver como são recebidas.  No passado, os reajustes nos preços dos combustíveis, da energia elétrica, dos medicamentos e de produtos alimentares seguiram em larga escala. Enquanto a pandemia provocava distúrbios de todas as formas, ampliava a desigualdade, aprofundava a pobreza, eliminava postos de trabalho, a dança para cima dos preços permaneceu em evidência. São esses setores que em outras seções aparecem como os que se deram bem na crise.


A inexistência de uma política de um plano de ação nacional, que deveria ser liderado pelo governo e resultado de propostas formuladas pelo conjunto dos entes federais, abre espaço para a desordem e a realização das práticas mais abusivas dentro da lógica de obtenção do lucro a qualquer custo. O que os brasileiros vivem hoje exige todos façam renúncias e percebam no que os valores renunciados estão sendo aplicados. Postulado que, por sua vez, exige vontade política governamental.   
  
 


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